AMAURY
RIBEIRO JR
Enviado especial
 |
| Tratores
contra passeata do MST |
RONDON
DO PARÁ -
Rondon do Pará, 21 de novembro de 2001. Comandados pelo
presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município,
José Soares Brito, cerca de dois mil trabalhadores rurais
saem em passeata. Exigem a prisão do mandante do assassinato
do sindicalista José Dutra da Costa, o Dezinho, ocorrido
há exatamente um ano.
''Pedimos a condenação dos fazendeiros assassinos'', gritam
em coro os manifestantes. A passeata dos sem-terra segue
em direção à Avenida Central. Lá, é surpreendida por uma
carreata de 50 tratores e caminhões. Quem está no comando
é Delsão, acusado de ter sido o mandante da morte de Dezinho.
Acompanhado de seguranças, funcionários de suas madeireiras
e amigos, Delsão tenta com a carreata neutralizar o impacto
da passeata. Do carro de som alugado pelo fazendeiro saem
palavras de ordem contra o movimento dos sem-terra. ''O
MST não quer terra. Só quer bagunça'', grita o locutor.
Contra-ataque
- Os fazendeiros partem para o contra-ataque: os alto-falantes
e as faixas acusam trabalhadores de ter matado o pecuarista
José Hilário, em 1996. Os autos do processo, no entanto,
contam uma história diferente.
No depoimento prestado à Justiça, o agricultor Antônio Piauí
confessou ter matado o fazendeiro. O motivo do crime: José
Hilário tinha agredido sua mulher. Piauí disse que acusou
os sem-terra porque foi torturado na delegacia da cidade
por pistoleiros e policiais.
Diante da iminência de confronto entre os manifestantes
da passeata e da carreata, a Polícia Militar entra em ação.
Sob o comando de tenente Cláudio Moreira, 37 soldados, armados
com metralhadoras, separam os dois grupos.
O lado direito da rua é reservado aos trabalhadores. Do
lado oposto ficam Delsão e os amigos. No meio, os policiais.
Às
15h, os sem-terra voltam para o sindicato. Imediatamente,
Delsão encerra também a carreata dos fazendeiros.