QUINTA, 13/12/2001

Caminhões contra passeata

AMAURY RIBEIRO JR
Enviado especial

  Tratores contra passeata do MST

RONDON DO PARÁ - Rondon do Pará, 21 de novembro de 2001. Comandados pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município, José Soares Brito, cerca de dois mil trabalhadores rurais saem em passeata. Exigem a prisão do mandante do assassinato do sindicalista José Dutra da Costa, o Dezinho, ocorrido há exatamente um ano.

''Pedimos a condenação dos fazendeiros assassinos'', gritam em coro os manifestantes. A passeata dos sem-terra segue em direção à Avenida Central. Lá, é surpreendida por uma carreata de 50 tratores e caminhões. Quem está no comando é Delsão, acusado de ter sido o mandante da morte de Dezinho.

Acompanhado de seguranças, funcionários de suas madeireiras e amigos, Delsão tenta com a carreata neutralizar o impacto da passeata. Do carro de som alugado pelo fazendeiro saem palavras de ordem contra o movimento dos sem-terra. ''O MST não quer terra. Só quer bagunça'', grita o locutor.

Contra-ataque - Os fazendeiros partem para o contra-ataque: os alto-falantes e as faixas acusam trabalhadores de ter matado o pecuarista José Hilário, em 1996. Os autos do processo, no entanto, contam uma história diferente.

No depoimento prestado à Justiça, o agricultor Antônio Piauí confessou ter matado o fazendeiro. O motivo do crime: José Hilário tinha agredido sua mulher. Piauí disse que acusou os sem-terra porque foi torturado na delegacia da cidade por pistoleiros e policiais.

Diante da iminência de confronto entre os manifestantes da passeata e da carreata, a Polícia Militar entra em ação. Sob o comando de tenente Cláudio Moreira, 37 soldados, armados com metralhadoras, separam os dois grupos.

O lado direito da rua é reservado aos trabalhadores. Do lado oposto ficam Delsão e os amigos. No meio, os policiais.

Às 15h, os sem-terra voltam para o sindicato. Imediatamente, Delsão encerra também a carreata dos fazendeiros.


 

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