MARABÁ,
PA - Das 96 ocupações em fazendas do Sul e do
Sudeste do Pará, apenas seis são comandadas pelo Movimento
dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A maior parte dos
assentamentos e das invasões de fazendas da região foi dirigida
por sindicatos rurais dos municípios da região, vinculados
à Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag).
Para Carlos Guedes, coordenador da Comissão Pastoral da
Terra (CPT) em Marabá, a presença de pistoleiros a serviço
dos fazendeiros tem impedido o fortalecimento do MST na
região. Guedes explica que, ao contrário do MST, os sindicatos
da região, cujos dirigentes vivem sob a ameaça de pistoleiros,
só promovem invasões em fazendas com escrituras em situação
irregular ou em processo de desapropriação pelo Incra.
Batalha
- ''Mesmo assim, os fazendeiros e os pistoleiros reagem
com violência. A batalha por um pedaço de chão é dura demais
aqui no Pará'', afirmou Guedes.
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais
de Rio Maria, Carlos Cabral, os trabalhadores rurais da
região não estão acostumados a trabalhar em cooperativas,
como muitas vezes ocorre nos assentamentos dirigidos pelo
MST.
''Aqui os sindicatos apenas coordenam as ocupações e dão
liberdade total para os trabalhadores rurais criarem suas
associações e se organizarem como quiserem'', disse.