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QUARTA,
12/12/2001
Lampião
é o chefe militar
AMAURY
RIBEIRO JR.
Enviado
especial
OXINGUARA,
PA -
Formado por agricultores vindos de Mara Rosa, no interior
de Goiás, o grupo dissidente dos sem-terra é uma comunidade
de parentes e amigos. Tido como ideólogo do movimento, Moacir
Pinto Marques conta entre os militantes com seis dos 12 irmãos.
Igual número de irmãos recrutados tem Misaque Silva, o Lampião,
que comanda as ações militares.
''Estar juntos nos fortalece. Se um pistoleiro atinge um de
nós, vai levar o troco. Conhecemos bem a região, nem o Exército
é capaz de nos achar'', vangloria-se Lampião.
O comandante diz que o Grupo Goiano é mais bem preparado militarmente
que os vigilantes da empresa J. Machado, contratada para proteger
a Fazenda Santa Maria. Com uma cartucheira pendurada no pescoço,
Lampião conta com orgulho: só uma vez os sem-terra foram surpreendidos
pelos jagunços do delegado Aldo de Castro, o Robocop.
''Demos de cara com o Robocop numa estrada'', relata. ''Ele
começou a gritar e a atirar. A gente teve que se esconder
na mata''.
Como prova da superioridade militar, os líderes do Grupo Goiano
exibiram ao repórter do JB documentos que os seguranças
deixaram cair, quando fugiam de um confronto armado.
A troca de bilhetes ameaçadores faz parte das táticas de provocação
usadas por pistoleiros e sem-terra. ''Convidamos vocês para
um show Frank Aguiar bala, cujo ingresso será o preço pago
pelas suas cabeças'', desafia o papel que capangas da J. Machado
deixaram pregado na porteira de uma fazenda.
Conhecedor da região, Moacir trabalhou como peão da Santa
Maria. Em 1999, diz, chegou a conversar com o banqueiro Ângelo
Calmon de Sá. Recém-chegado ao Sul do Pará, o ex-dono do Banco
Econômico o contratou para comprar gado.
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