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QUARTA,
12/12/2001
Orelha
cortada marca vingança
AMAURY
RIBEIRO JR.
Enviado
especial
XINGUARA,
PA -
O confronto entre sem-terra dissidentes e jagunços da Fazendas
Reunidas Santa Maria é marcado por bilhetes ameaçadores pregados
nas porteiras de propriedades do Sul do Pará e pelo ritual
de cortar as orelhas dos mortos em emboscadas.
Utilizado nas décadas de 70 e 80, o cerimonial de vingança
ressurgiu em 5 de maio de 2000, em Xinguara. Nesse dia, um
grupo de pistoleiros invadiu a casa de Gilson Araújo para
matar os líderes da facção surgida entre os sem-terra.
Araújo e Nivaldo Cândido Mariano, integrantes do comando militar
do chamado Grupo Goiano, conseguiram fugir, mesmo baleados.
Dario Marques e Wanderley, parentes de Nivaldo, foram mortos
pelos jagunços, que lhes cortaram as orelhas.
A represália veio no dia seguinte. Identificado como um dos
autores dos assassinatos, Josafá Rocha foi morto numa emboscada
comandada por Gilson, que havia escapado na véspera. As orelhas
dele também foram cortadas.
''Eles retribuíram uma barbaridade que tinha sido praticada
contra a gente'', disse ao JB o líder da dissidência,
Moacir Pinto Marques.
O delegado de Xinguara, Emerson Alvarenga, afirmou que a onda
de assassinatos foi um acerto de contas entre os sem-terra.
Moacir contra outra história: ''Os pistoleiros foram contratados
num assentamento antigo do município. Não tiveram dificuldade
para identificar os líderes a serem mortos.'
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