Há
diferentes versões sobre a razão de a CPI sobre a violência
no Sul do Pará não ter saído do papel. Agora, porém, vai se
tornar realidade. O presidente da Assembléia Legislativa,
Martinho Carmona (PSDB), garantiu ontem ao Jornal do Brasil
que a comissão parlamentar de inquérito vai ser instalada
esta semana.
A deputada Sandra Batista (PCdoB), autora do requerimento
já aprovado, acusou a bancada governista na Assembléia de
boicote. Até domingo passado, informou, só o PT tinha indicado
representante. Na ocasião, Sandra manifestou a esperança
de que as reportagens do JB fizessem a CPI decolar.
''O governo estadual é omisso'', atacou a deputada. O pretexto
seria o fato de 60% das terras do Pará estarem sob jurisdição
do Incra. ''Alega-se que a violência no campo é um problema
federal. Vira um samba do crioulo doido, todo mundo se esquiva
da responsabilidade.''
O presidente da Assembléia reconheceu: a situação pode se
tornar ainda mais explosiva no ano que vem. Em 2002, será
concluída a duplicação da hidrelétrica de Tucuruí, iniciada
há dois anos. ''Três mil pessoas vão ficar desempregadas
numa região em que não há trabalho'', disse Carmona. Apesar
de filiado ao PSDB, o parlamentar criticou o governo federal
''por não ter feito uma reforma agrária eficiente''.