TERÇA, 11/12/2001

Vigilantes não escondem poder

AMAURY RIBEIRO JR
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Enviado Especial

MARABÁ, PA - Contratados por fazendeiros nos municípios de Paraopebas, Curionópolis e Marabá para expulsar trabalhadores rurais, os seguranças das empresas Master e GRA fazem questão de mostrar que têm poder de polícia. No dia 9 de julho, por exemplo, vigilantes da Master prenderam os líderes sem-terra Maurício Moreira, Luiz Marcos Souza, Leônidas Pereira, Agnaldo Dias, José Raimundo Barros e outro de nome Durval, que comandaram a invasão na Fazenda Santa Rita de Cássia, em Eldorado do Carajás. Os seguranças entregaram os presos à Superintendência da Polícia Civil em Marabá.

''Somos contratados da propriedade e prendemos os líderes dos sem-terra porque eles estavam armados com revólveres, facões e facas de cozinha'', disse Aldo Fontes, responsável pela empresa. Ele afirma que a Master é uma empresa tradicional de segurança em Belém e se refere com naturalidade ao clima explosivo no Sul do Pará, onde seguranças vivem em guerra com trabalhadores rurais.

''Trocamos tiros com um ou outro grupo de sem-terra, nem sempre o mesmo. Temos de defender a empresa. Eles vivem derrubando cerca, loteando a área e amedrontando proprietários de fazendas.''

Reação - Em agosto, um grupo de sem-terra que ocupa a Fazenda Cabaceiras, em Marabá, enfrentou seguranças da empresa GRA, contratada para proteger a propriedade. Armados com espingardas e facões, os sem-terra expulsaram os vigilantes.

A reação dos trabalhadores foi motivada pela prisão do dirigente do MST Reginaldo Carvalho. Líder da invasão, ele foi detido pelos seguranças da GRA quando tomava banho num rio da fazenda.

Segundo Reginaldo, os seguranças, usando esporas, montaram em cima dele, fazendo-o de cavalo. O líder do MST acredita que não morreu por sorte, já que os vigilantes, alguns com fardas da polícia, chegaram a discutir seu assassinato.

''Sofri todo o tipo de humilhação. Subiram em cima de mim, me deram esporadas e só desistiram de me matar porque as coisas poderiam engrossar para o lado deles.''

Ordens - No município de Xinguara, quem dá as ordens é a empresa J. Machado, comandada pelo delegado Aldo de Castro, conhecido como Robocop.

Procurada pelo JB, a superintendente da Polícia Civil em Marabá, delegada Elizeth de Carvalho, lembrou que a Constituição concede a qualquer cidadão o direito de fazer prisões em flagrante. Mas ela garante que as atividades da Master e de outras empresas de segurança estão sendo investigadas. Procurados novamente pelo JB, os seguranças da Master tinham desaparecido. Segundo vaqueiros da Fazenda Santa Rita de Cássia, tinham deixado a região, temendo a chegada da Polícia Federal.



 

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