SEGUNDA, 10/12/2001

PMs de Carajás se envolvem em mortes

AMAURY RIBEIRO JR
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Enviado Especial

Dois anos depois do massacre de Eldorado dos Carajás, 11 dos PMs que participaram do assassinato em massa estiveram envolvidos nas mortes de mais dois sem-terra. Acompanhados de fazendeiros, pistoleiros e dois oficiais de Justiça sem mandado judicial, os PMs indiciados no inquérito de Carajás seguiram na noite de 23 de março de 1998, de caminhão, para a Fazenda Goiás, em Parauapebas. O objetivo era retirar sem-terra que tinham invadido a área, de propriedade de Carlos Antônio da Costa, o Carlinhos.

Informados, os líderes do MST Onalício Araújo Barros, o Fusquinha, e Valentim Serra, o Doutor, fretaram a caminhonete de Antônio da Silva e foram para a fazenda. No povoado de Cedero, eles encontraram o caminhão dos fazendeiros com 18 sem-terra despejados. Os dois líderes foram reconhecidos por Carlinhos: ''Este aí é o Fusquinha. Queimem os dois.'' A ordem foi cumprida pelo fazendeiro Donizete dos Santos. Os corpos foram encontrados a 11 quilômetros do local.

Tropas - O assassinato provocou protesto, obrigando o Exército a deslocar tropas para a região. A Justiça decretou a prisão dos fazendeiros. Mas, passados quase dois anos, a principal testemunha dos homicídios, o motorista da caminhonete, foi assassinado. Ameaçadas, as demais testemunhas desapareceram. Soltos por decisão do Tribunal de Justiça, os fazendeiros continuam ameaçando sem-terra. ''O processo praticamente não existe mais. Foi quase anulado depois que o Ministério Público aceitou documento de um cartório de Minas Gerais em que um fazendeiro assume a autoria dos assassinatos'', diz o advogado da CPT em Marabá, João Batista Afonso.

No documento, o fazendeiro conta uma história incrível: disfarçado de trabalhador rural, teria se infiltrado no movimento para assassinar os dois líderes. O Ministério Público e a Justiça aceitaram a história.

 

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