SEGUNDA, 10/12/2001

Massacre sem punição

AMAURY RIBEIRO JR
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Enviado Especial

A impunidade dos responsáveis pelo massacre de Eldorado do Carajás, ocorrido em 16 de abril de 1996, funcionou como um sinal verde para fazendeiros, pistoleiros e policiais a serviço deles no Sul do Pará. ''Eldorado dos Carajás foi a licença que os policiais tiveram para matar trabalhadores rurais'', diz o advogado Carlos Guedes do Amaral Júnior, coordenador da CPT em Marabá.

Nenhum dos policiais militares participantes do massacre de Carajás foi punido até hoje. Sequer está marcada a data do novo julgamento dos acusados, depois que os três oficiais que comandaram a operação foram absolvidos em agosto de 1999, e posteriormente a decisão do júri foi anulada pela Justiça.

O massacre ocorreu depois que mil sem-terra, expulsos de uma fazenda nas cercanias, bloquearam a rodovia PA-150. O governador Almir Gabriel (PSDB) determinou o envio ao local de 200 PMs, lotados em Marabá e Parauapebas, com ordens de desobstruir a estrada a qualquer custo.

No caso, o custo foi a morte de 19 e ferimentos em 60 sem-terra. A perícia constatou que os cadáveres tinham marcas de tiros à queima-roupa, nas costas ou na cabeça. Os relatos dos sobreviventes não deixam dúvidas de que a PM atirou para matar.

O episódio teve ampla repercussão no exterior e contribuiu para difundir a idéia de que no Brasil os direitos humanos não são respeitados.

 

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