A
impunidade dos responsáveis pelo massacre de Eldorado do Carajás,
ocorrido em 16 de abril de 1996, funcionou como um sinal verde
para fazendeiros, pistoleiros e policiais a serviço deles
no Sul do Pará. ''Eldorado dos Carajás foi a licença que os
policiais tiveram para matar trabalhadores rurais'', diz o
advogado Carlos Guedes do Amaral Júnior, coordenador da CPT
em Marabá.
Nenhum dos policiais militares participantes do massacre
de Carajás foi punido até hoje. Sequer está marcada a data
do novo julgamento dos acusados, depois que os três oficiais
que comandaram a operação foram absolvidos em agosto de
1999, e posteriormente a decisão do júri foi anulada pela
Justiça.
O massacre ocorreu depois que mil sem-terra, expulsos de
uma fazenda nas cercanias, bloquearam a rodovia PA-150.
O governador Almir Gabriel (PSDB) determinou o envio ao
local de 200 PMs, lotados em Marabá e Parauapebas, com ordens
de desobstruir a estrada a qualquer custo.
No caso, o custo foi a morte de 19 e ferimentos em 60 sem-terra.
A perícia constatou que os cadáveres tinham marcas de tiros
à queima-roupa, nas costas ou na cabeça. Os relatos dos
sobreviventes não deixam dúvidas de que a PM atirou para
matar.
O episódio teve ampla repercussão no exterior e contribuiu
para difundir a idéia de que no Brasil os direitos humanos
não são respeitados.