SEGUNDA, 10/12/2001

Vereador indiciado por assassinato

AMAURY RIBEIRO JR
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Enviado Especial

BOM JESUS DO TOCANTINS, PA - O vereador de Bom Jesus do Tocantins Francisco Veloso de Freitas (PSB) é uma das pessoas mais temidas no Sudoeste do Pará. Indiciado por roubo de gado, assalto e homicídio, ele ampliou a ficha criminal depois de se aliar a fazendeiros da região. De acordo com documentos obtidos pelo Jornal do Brasil, em dezembro do ano passado, o vereador foi indiciado, com o PM Luiz Carlos Aviz, pelo assassinato de Pedro Alves da Silva, um conhecido pistoleiro de aluguel.

O delegado especial de Belém Walter Resende de Almeida, que conduziu o inquérito, acredita ter descoberto o motivo do crime: contratado pelo fazendeiro Délcio Nunes para assassinar trabalhadores rurais em Rondon do Pará, o pistoleiro sabia demais. Sua morte teria sido queima de arquivo.

''Depois de matar o Pedro, o Veloso passou a rondar minha casa para eliminar minha família'', afirmou Francisco Martins Silva, irmão do pistoleiro assassinado, hoje longe do Pará e incluído no programa de proteção a testemunhas do governo federal.

A polícia suspeita que a quadrilha dos PMs Clóvis e Nascimento, procurados pela Justiça pelo assassinato do sindicalista José Pinheiro Lima, o Dedé, seja comandada pelo vereador e seus irmãos.

Robocop - Recentemente Veloso foi preso ao desafiar o ex-delegado Aldo de Castro, o Robocop, que tem ficha criminal semelhante à dele. Por pressões do vereador, Robocop foi transferido para Redenção, onde, além da delegacia, comanda a empresa J. Machado, que dá proteção a fazendeiros.

No dia 26 de novembro, o Jornal do Brasil esteve com Veloso no Hotel São Francisco, de sua propriedade. Com as mãos e o pescoço cheios de correntes e pulseiras de ouro, ele chegou numa caminhonete preta com faróis de milha e vidros escuros.

Enquanto o vereador conversava com o repórter, o motorista do JB ouviu um diálogo inusitado entre os irmãos de Veloso. ''Tenho vontade de matar esses trombadinhas só para ver o tombo'', disse um dos irmãos, referindo-se a um menino de rua que passava. Dizendo-se perseguido pela polícia, o vereador conduziu o repórter a sua casa, onde mostrou um dossiê dos crimes que teriam sido praticados pelo delegado Robocop. Na sala da casa cercada por muros altos, rádios se amontoavam na prateleira. Quando percebeu que seria fotografado, Veloso se irritou.

Ele foi interrompido por uma visita inesperada do escrivão da polícia Miguel Tomás Neto. Prestativo, Neto perguntou se o vereador, que não parava de xingar a atual delegada, tinha algum problema e precisava de ajuda.

 

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