Aquino não levou oficiais de Justiça nem tinha mandado
de reintegração de posse. Fazendeiros, capangas armados
e oito policiais o acompanhavam. ''Fortemente armados
e junto com os pistoleiros, os policiais destruíram as
lavouras e jogaram as famílias em frente ao sindicato
em Marabá'', conta Sebastião Alves de Moura, um dos líderes
dos trabalhadores da região. ''Sem mandado judicial, prenderam
quatro pobres coitados como comandantes da invasão''.
Soltos após pagar fiança, os sem-terra foram instalados
pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais num assentamento
vizinho à área desocupada.
Revólver
- O delegado Aquino não se negou a falar ao Jornal
do Brasil. Vaidoso, com os braços e o pescoço com
pulseiras e correntes de ouro, fez uma exigência: ao ser
fotografado queria ter sobre a mesa o revólver e o distintivo
da policial. Aquino diz agir dentro da lei. E defende
os seguranças da Fazenda Talismã: ''Lá não tem pistoleiro,
só tem trabalhador''.
Discurso semelhante faz o delegado de Paraopebas, Carlos
Augusto Mota. Ele nega até que exista conflito agrário
no Sul do Pará. ''De um lado estão os fazendeiros pioneiros.
Do outro, um bando de baderneiros e ladrões de gado.''
Há pouco mais de dois meses em Paraopebas, Mota é acusado
de fazer prisões ilegais. Para o aumento dos casos de
mortes de trabalhadores, ele tem explicação: ''Os sem-terra
estão se matando''.
Parceiro
- Nas operações de despejo, Mota tinha, até o início
do mês, a ajuda do escrivão Haroldo Batista Macedo. O
parceiro foi transferido para Marabá, depois de a Secretaria
de Segurança ter recebido denúncias contra ele. Haroldo
teria feito prisões ilegais e espancado trabalhadores.
''Nunca vou me esquecer da humilhação que sofri. O Haroldo
chegou tocando fogo nos barracos, agredindo todo mundo'',
relata a viúva Dalva Cordeiro de Mello. ''Me levou para
uma delegacia onde fiquei mais de um mês, longe dos meus
filhos''. Dalva foi presa em agosto por seguranças, na
desocupação da Fazenda Santo Antônio.
A transferência de Haroldo não modificou a rotina do delegado
Motta. No dia 5 de novembro, apareceu no assentamento
Goiás. Estava à procura dos líderes.
(A.R.J.)