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| José
Serafim Sales, o Barreirito, temido no Sul do Pará. |
RIO
MARIA, PA - Ninguém
sabe quem é José Serafim Sales, mas o apelido Barreirito
é temido no Sul do Pará. Mesmo com a crescente concorrência
de policiais no ramo da pistolagem, o pistoleiro mantém o
prestígio. Condenado a 25 anos de prisão pelo assassinato
do sindicalista Expedito Ribeiro de Souza, Barreirito
fugiu da penitenciária de Marabá em dia 14 de março de 2000.
Pouco depois, seria realizado o julgamento do fazendeiro Jerônimo
Alves do Amorim, acusado de mandante do crime.
O frei dominicano Henri des Roziers diz que a fuga do pistoleiro
foi parte da trama para facilitar a absolvição de Jerônimo.
Mesmo sem a confissão do pistoleiro, porém, o fazendeiro
foi condenado a 19 anos e seis meses de prisão.
Mordomias
- Apesar de responder a mais dois processos em Xinguara
pela morte de trabalhadores rurais, Jerônimo foi transferido
em novembro do ano passado para uma penitenciária em Goiânia,
onde vive sua família. ''Jerônimo vive cheio de mordomias,
praticamente livre'', afirma Roziers.
Barreirito
tem sido visto em Rio Maria nos últimos tempos. A volta
do pistoleiro, confirmada ao Jornal do Brasil por
um delegado de Marabá, tirou o sossego do líder sindical
Orlando Canuto, filho de João e irmão de José e de Paulo
Canuto, todos assassinados.
Marcados
- Incluído numa lista divulgada pela CPT com os nomes
de 22 marcados para morrer, Orlando, vereador pelo PT em
Rio Maria, não dorme duas noites seguidas no mesmo lugar.
Em 1990, conseguiu escapar com as mãos algemadas, depois
de ferido por pistoleiros e policiais que tinham acabado
de assassinar os irmãos Paulo e José Canuto. Sangrando muito,
o vereador foi obrigado a andar 17 quilômetros pela mata
até chegar na casa de amigos que o socorreram.
''Estou vivo por um milagre. Mas infelizmente a sina da
minha família é ser exterminada por pistoleiros'', lamenta
Orlando.
Baseado em experiência própria, ele afirma não ter dúvidas
da participação de Barreirito na morte de Wilismar
Pereira. Secretário de Finanças de Rio Maria na administração
do prefeito Argemiro Pereira dos Santos, afastado por corrupção,
Wilismar foi assassinado com dois tiros no dia 4 de novembro,
em frente à casa em que morava. O pistoleiro saiu caminhando
a passos lentos, como se tivesse segurança da impunidade.
Marca
- ''Foi um crime típico do Barreirito. Ele matou
Expedito dessa mesma maneira'', diz Orlando. ''É um pistoleiro
frio. Isso foi queima de arquivo ou disputa de dinheiro.
Agora ele deve estar atrás de mim''. Na Câmara de Rio Maria,
Orlando foi um dos vereadores que mais denunciaram as irregularidades
do ex-prefeito.
Um dia depois da morte do ex-secretário de Finanças, a polícia
de Xinguara apresentou como suspeitos dois agricultores.
Até hoje, eles estão na cadeia. Enviado de Belém a Xinguara,
o delegado especial Roberto Teixeira não demorou uma semana
para concluir que ambos são inocentes. Na sexta-feira passada,
pediu que a Justiça os soltasse. (A.R.J.)