"Não
sou apenas um escritor, sou um contador de histórias". Foi
assim que Maurizio Maggiani, um dos mais premiados escritores
italianos da geração que surgiu no final do século XX, começou
seu bate-papo, ontem, no Café Literário. Com muito bom humor,
o autor de A rainha sem efeites (Berlendis e Vertecch),
lançado na XI Bienal, revelou o segredo de uma boa história,
falou sobre a tradição oral de sua família e ainda surpreendeu
ao dizer que pretende parar de escrever.
A palavra,
como o mais poderoso meio de comunicação, é para Maggiani
o grande segredo de uma narrativa bem sucedida. "Trabalho
com muito afinco porque só tenho a palavra. E o ofício do
escritor, ao contrário do que dizem, está dentro do coração
e não na cabeça", revelou.
Maggiani
deixou a modéstia de lado ao afirmar ser um grande escritor
e acredita que o sucesso de sua literatura seja resultado
da externalização de uma intensa vivência através da escrita.
No entanto, não descarta a influência de seus antepassados
e de autores como Gabriel Garcia Márquez e Guimarães Rosa.
"Sempre
contei muitas histórias. Venho de uma família de camponeses
de tradição oral. Todo o dia, antes de jantarmos, contávamos
uma história", lembrou o autor, contando mais uma história.
Apesar de ter apenas dez anos de carreira, a vocação para
criar e recriar personagens acompanha Maggiani há quase 50
anos. Segundo o autor, a literatura latino-americana abriu
seu horizonte. "Não existe essa liberdade na escrita da Itália".
Com 22 anos, leu Grande sertão - veredas e se encantou:
"Quando chegava no meio do livro, lia mais devagar porque
queria que o prazer daquela leitura durasse mais".
O constante
estado de guerra da contemporaneidade impressiona tanto Maggiani
que seu próximo livro, possivelmente o último, terá a Bósnia
como cenário. "Nunca fiz o mesmo trabalho por muito tempo,
é chato. A única coisa que não á chata por muito tempo é transar.
Então, espero que esse seja o último livro para poder abrir
um bar de vinhos chilenos", finalizou o autor.