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Café literário: encontro com Maurizio Maggiani

Paula Barcellos
Especial para o JB Online

"Não sou apenas um escritor, sou um contador de histórias". Foi assim que Maurizio Maggiani, um dos mais premiados escritores italianos da geração que surgiu no final do século XX, começou seu bate-papo, ontem, no Café Literário. Com muito bom humor, o autor de A rainha sem efeites (Berlendis e Vertecch), lançado na XI Bienal, revelou o segredo de uma boa história, falou sobre a tradição oral de sua família e ainda surpreendeu ao dizer que pretende parar de escrever.

A palavra, como o mais poderoso meio de comunicação, é para Maggiani o grande segredo de uma narrativa bem sucedida. "Trabalho com muito afinco porque só tenho a palavra. E o ofício do escritor, ao contrário do que dizem, está dentro do coração e não na cabeça", revelou.

Maggiani deixou a modéstia de lado ao afirmar ser um grande escritor e acredita que o sucesso de sua literatura seja resultado da externalização de uma intensa vivência através da escrita. No entanto, não descarta a influência de seus antepassados e de autores como Gabriel Garcia Márquez e Guimarães Rosa.

"Sempre contei muitas histórias. Venho de uma família de camponeses de tradição oral. Todo o dia, antes de jantarmos, contávamos uma história", lembrou o autor, contando mais uma história.

Apesar de ter apenas dez anos de carreira, a vocação para criar e recriar personagens acompanha Maggiani há quase 50 anos. Segundo o autor, a literatura latino-americana abriu seu horizonte. "Não existe essa liberdade na escrita da Itália". Com 22 anos, leu Grande sertão - veredas e se encantou: "Quando chegava no meio do livro, lia mais devagar porque queria que o prazer daquela leitura durasse mais".

O constante estado de guerra da contemporaneidade impressiona tanto Maggiani que seu próximo livro, possivelmente o último, terá a Bósnia como cenário. "Nunca fiz o mesmo trabalho por muito tempo, é chato. A única coisa que não á chata por muito tempo é transar. Então, espero que esse seja o último livro para poder abrir um bar de vinhos chilenos", finalizou o autor.

[23/MAI/2003]

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