Dois lançamentos resgatam parte da história dos dois times
cariocas
Bruno
Neves
Zico
e Castilho, ídolos do Flamengo e do Fluminense, respectivamente,
jogaram futebol em épocas diferentes e jamais se enfrentaram
nos gramados. O craque rubro-negro, maior artilheiro da história
do clube, entrou na escolinha dois anos depois do exímio goleiro
tricolor, especialista em pegar pênaltis, pendurar as luvas.
Em comum entre os dois, a ascendência européia - José Antunes,
pai de Zico, era imigrante português, enquanto Esther, mãe
de Castilho, veio da Espanha -, e o fato de terem marcado
a história de dois dos maiores clubes brasileiros. O encontro
virtual destes dois jogadores está acontecendo na XI Bienal
Internacional do Livro, com o lançamento de livros sobre eles.
Pela Editora
Record, os jornalistas Roberto Assaf e Roger Garcia assinam
Zico: 50 anos de futebol, que conta a trajetória do
maior ídolo do Flamengo de todos os tempos. O contra-ataque
é do advogado mineiro Antônio Carlos Teixeira, que mergulhou
fundo para revelar a história do injustiçado goleiro Castilho,
estrela do Fluminense na década de 50 e que foi campeão Mundial
pela Seleção Brasileira em 1958 e 1962. O resultado está no
livro Castilho, da Editora Pontes.
Zico não
é um estreante no mundo das letras. A biografia que comemora
os 50 anos do Galinho de Quintino é o quarto livro a contar
sua história. O primeiro, Zico: uma lição de Vida,
de Marcus Vinícius Buccar Nunes, foi escrito em 1986. Depois
vieram Zico conta a sua história, de 1996; e um livro
da série 'Perfis do Rio', lançado em 2000. Zico: 50 anos
de futebol, no entanto, é definitiva. Os autores conseguiram
depoimentos inéditos do jogador sobre a não-convocação para
os Jogos Olímpicos de 1972 e resgataram datas perdidas no
tempo, como a do primeiro treinamento do Galinho com a camisa
do Flamengo.
Castilho,
por outro lado, nunca tinha sido biografado e morreu prematuramente,
em 1987, sem o devido reconhecimento, motivo pelo qual Antônio
Carlos Teixeira resolveu escrever sobre ele. Devotado torcedor
do Fluminense, o autor diz que não falou da vida pessoal do
goleiro e explica o desejo de mostrar o ídolo para as novas
gerações. Trechos de deliciosas crônicas escritas por Nelson
Rodrigues, Teixeira Heizer, Geraldo Romualdo da Silva e Mario
Filho, ajudam a entender o que era a 'leiteria' do Castilho,
expressão usada para designar a sorte quase sobrenatural que
acompanhava sua competência na defesa da meta tricolor.
Os dois
livros caracterizam-se pela profundidade da pesquisa, têm
belas fotos de arquivo e são obras de referência para aqueles
que desejam conhecer as histórias de Flamengo e Fluminense.
Se esta edição da Bienal mostra que há uma carência de lançamentos
no gênero, ao menos um inesquecível Fla x Flu imaginário está
garantido, graças à tabelinha entre a literatura e o futebol.