Cartunistas explicam a adultos e crianças arte de fazer charges
Leandro Mazzini
Rio - RIO - Cerca de 200 pessoas, entre adultos e crianças, lotaram a primeira sessão do Café Literário, nesta tarde, na X Bienal do Livro do Rio, para prestigiar o encontro dos cartunistas Ziraldo, Chico Caruso, Aroeira, Maurício de Souza e Miguel Paiva. Os ilustradores recorreram às lembranças para explicar o talento. Quando criança, Ziraldo desenhava deitado no chão; Maurício rabiscava o caderno de poesia, Caruso fez o primeiro quadrinho aos seis anos em companhia do avô e Aroeira desenhava em tiras de papel que pegava na escola. Já Miguel Paiva, confessou ser discípulo de Ziraldo. ''Eu desenhava muito mal. Insisti e aprendi com ele''. O sucesso foi consequência da persistência. As dificuldades foram um fator comum para os cartunistas. ''Quando cheguei ao Rio com meus desenhos vi que os jornais publicavam só quadrinhos americanos. Eu tinha histórias fantásticas, de astronautas que sempre partiam de Caratinga'', brincou Ziraldo, referindo-se à sua cidade natal em Minas Gerais. Maurício seguiu os conselhos do pai. ''Seja o seu próprio empresário. Desenhe de manhã e negocie à tarde''. Caruso, que se tornou profissional aos 17 anos, tomou aparte. ''Eu desenhava de manhã, trabalhava à tarde e bebia à noite''. Aroeira, Miguel e Caruso foram enfáticos em relação ao profissionalismo. ''Para se fazer charge, é obrigatório ler os jornais diariamente e ter referências histórias'', concluíram.
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