Bate-bola literário faz gol de placa no Café
Leandro Mazzini
Rio - O "Bate-bola literário" realizado nesta noite no Café Literário, na X Bienal do Livro do Rio, foi um gol de placa. O encontro entre os escritores José Roberto Torero, João Ubaldo Ribeiro e o técnico Carlos Alberto Parreira revelou sonhos comuns: todos queriam ser jogadores de futebol quando crianças. O destino, entretanto, tratou de colocá-los em caminhos diferentes. Ubaldo já foi beque direito, especializado em "carrinhos", segundo ele. "Mas nunca consegui fazer seis embaixadinhas", disse sorrindo. Parreira confessou ter sina de técnico e Torero desistiu por ter sido rejeitado até no Universo, time de seu bairro em Santos, litoral paulista. Os três, no entanto, não perderam a admiração pelo futebol. "Ainda alimento a fantasia de sacudir a camisa para a torcida", afirmou Ubaldo, que na juventude jogou no São Lourenço, time da Ilha de Itaparica, em Salvador, sua terra natal. Confessando ter encontrado na literatura um caminho paralelo à paixão nacional, o baiano só pecou uma vez. "Convidaram-me para escrever sobre o Bahia, mas eu sou um ferrenho Vitória". Enquanto o tetracampeão Parreira comentava a satisfatória profissão de treinador, Torero recorreu ao neologismo "inesperadez" para destacar a magia do esporte. "Você não sabe como vai acabar", disse. Para Ubaldo, o segredo do sucesso e influência do futebol nos seres humanos é simples: "É um esporte em que a altura não é o fundamental, e um dia pode ser misto, porque as mulheres também aprenderam. Logo, podemos ter times mistos: eu escalo o Antônio e o Carlos, na defesa, e a Madalena como centroavante", concluiu.
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