Fernanda Nidecker e Leandro Mazzini
Rio - O café literário realizado esta noite na Bienal, com o tema "A praia, as cidades e as serras: A geografia e a criação literária" gerou opiniões diferentes entre os debatedores. Carlos Heitor Cony e Artur Xexéo conversaram por mais de uma hora e abordaram questões relevantes que influenciam na vida daqueles que fazem jornalismo e literatura ao mesmo tempo.O escritor Artur Xexéo afirmou ser influenciado pelo meio onde escreve. Para ele, passar os finais de semana em Vargem Grande, na Zona Oeste do Rio, é fundamental para seu desempenho como colunista. "Acredito que a reclusão e um tempo dedicado à reflexão são fundamentais para que o jornalista escreva com mais facilidade".
Já o romancista Carlos Heitor Cony confessa não se concentrar em paisagens para escrever. ``A questão não é o lugar, a paisagem sou eu'', disse. Se auto-intitulando um ``animal urbano'', o autor de 13 romances disse ter aversão ao campo e encontrar nos navios que viaja um refúgio produtivo.
Os autores ainda estabeleceram diferenças entre ser colunista e escritor. Xexéo revelou que ao lançar seu romance sobre Janete Clair ficou surpreendido com a crítica do público, que esperava encontrar na literatura o jornalista que escreve nas páginas dos jornais.
Cony também se divide em dois: ``sou o jornalista que fala mal do governo, e o escritor avesso do jornalista. Talvez eu seja, ao mesmo tempo, o médico e o monstro, ou o monstro e o monstro'', brincou. ``Mas sou muito mais realizado quando escrevo ficção'', concluiu.