Hosmany Ramos critica o sistema penal brasileiro

JB Online

Rio - Leandro Mazzini

RIO - O médico Hosmany Ramos, autor do best-seller ´´Pavilhão 9 - Paixão e Morte no Carandiru´´ aproveitou a oportunidade numa teleconferência realizada, há pouco, para jornalistas, na Bienal Internacional do Livro, direto da penitenciária de Araraquara, interior de São Paulo, onde está preso, e disparou sua metralhadora giratória. Hosmany, dizendo não ter medo de morrer, criticou o sistema penal brasileiro, a política de investimentos do ministro da Justiça, José Gregori, levantou a bandeira pela condenação dos senadores José Roberto Arruda e Antonio Carlos Magalhães e ridicularizou o estado de São Paulo por sustentar o ex-juiz Nicolau numa ´´prisão de luxo´´.

Com pose de intelectual - gabando-se por ter lido toda a Enciclopédia Britânica duas vezes e ter seus livros traduzidos na França - Hosmany não poupou os colegas escritores que fazem livros por encomenda de editoras.`` A literatura por encomenda está para literatura assim como a prostituição por amor´´.

Condenado por homicídio e formação de quadrilha, o médico, que conviveu na década de 70 com a alta sociedade, foi presidiário da penitenciária do Carandiru, em São Paulo e presenciou o massacre de 1992, quando 111 presos foram mortos. De posse de uma carta do colega de cela, Carlos Alberto Ferrari, ele afirmou que a imprensa sabe pouco: ´´ foram mais de 400 mortos´´.

O presidiário, demonstrando eloquência disse que a literatura salvou a sua vida e defendeu a linguagem de gírias que usa no enredo do seu livro. ´´ Esssa é a língua do brasileiro. Hoje nós falamos o brasileiro e não o portugês. Temos que cortar o cordão umbilical de Portugal´´. Hosmany confessa que se arrenpendeu dos crimes cometidos no passado e que encontrou nas letras e no convívio com os presidiários, uma saída para dar a volta por cima. `` Minha vida agora é a literatura e de alguma forma quero contribuir para a cultura´´, disse, com um sorriso esperançoso de alguém que um dia ganhará a liberdade.

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