Autores debatem adaptações literárias na Bienal

JB Online

Rio - Leandro Mazzini

RIO - No Brasil, todo livro adaptado para a TV torna-se um best seller. A frase de Arthur Xexéo se identifica com o sucesso de vendas dos livros ``A Muralha´´ e ``Os Maias´´, que recentemente foram transformados em minisséries de TV.

No debate ocorrido no início da noite, no Café Literário da Bienal, Xexéo, o diretor de TV Daniel Filho e os roteiristas Gilberto Braga e Lauro César Muniz discutiram o tema ``A literatura em horário nobre´´.

``Estou totalmente dentro deste efeito imediato´´, comentou Braga. ``Só comprei `Os Maias´ depois que foi adaptado para a TV´´.

Para Lauro César e Daniel Filho, é extremamente difícil ``transferir´´ um romance para cinema e TV. ``O narrador faz o que bem entende com seu personagem. Já a TV não tem tempo para isso´´, argumentaram. Nessa difícil tarefa de adaptação, Gilberto foi a favor dos críticos literários. ``Ás vezes a gente lê um romance e fala: isso dá um belíssimo filme. Mas quando vai para a tela, concluimos: o livro é melhor.´´

A atriz Malu Mader, presente no Café, teve uma ponta de participação por convite de Daniel Filho. ``O fundamental está no diálogo que se transcreve do original. Mesmo quando tem uma cena forte de sexo ou violência, por exemplo, o ator encara com naturalidade´´, comentou.

Daniel citou a minissérie ``A vida como ela é´´, baseada na obra de Nelson Rodrigues, como o maior sucesso de adaptação. E Braga, finalizando, evidenciou seu papel: ``Eu escrevo para ator e não para a literatura´´.

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