Itabira ressurge em homenagem a Drummond na Bienal
Fernanda Nidecker
Rio - Cerca de 150 pessoas assistiram, esta tarde, na X Bienal do Livro, a uma homenagem prestada ao escritor Carlos Drummond de Andrade, cujo centenário de nascimento se celebra ano que vem. Membros da família do poeta, como os netos Pedro e Luís Maurício Drummond, e o poeta Affonso Romano de Sant'Anna estavam presentes no evento, que aconteceu no auditório Cecília Meireles - poetisa que também está sendo prestigiada na Bienal. A homenagem começou com a apresentação da Companhia Itabirana de Teatro, que já traz em seu repertório números preparados especialmente para contar a trajetória de vida e obra do poeta. ``Nós, de Itabira, cidade natal de Drummond, não poderíamos deixar de homenagear o nosso filho mais ilustre'', disse a presidente da Associação Cultural Itabirana século XX, Maria das Graças Lacerda. A entidade já está organizando as comemorações pelo centenário do poeta há dois anos. Itabira, cidade do interior de Minas Gerais, já conta com um memorial erguido em homenagem a Carlos Drummond de Andrade, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, além de vários monumentos públicos que levam seu nome. O poeta sempre fez questão de ressaltá-la em seus poemas - num primeiro momento com certo tom de crítica, mas no auge da maturidade, Drummond se rendeu às lembranças de sua infância e juventude e não escondia uma certa melanocolia ao escrever sobre a cidade natal. Ainda na solenidade, familiares e amigos descerraram uma placa que trazia o poema ``Confidência de Itabirano'', no qual o poeta diz ser um homem ``triste, orgulhoso, de ferro'', fazendo uma alusão à grande quantidade do minério existente na cidade. Em seguida, o escritor Affonso Romano de Sant'Anna assumiu o palco e falou sobre a importância que o poeta tem em sua vida. ``Faço parte de uma tradição que começou com Mário de Andrade, passou por Manuel Bandeia, Carlos Drummond e agora chega a mim. Pretendo levar esta corrente adiante''. Sant'Anna escreveu sua tese de doutoramento sobre a obra de Drummond e diz ter feito uma análise profunda de seus poemas para entender o que estava por trás de milhares de versos que podem ser enquadrados em três fases distintas: a irônica, a política e a metafísca. De acordo com o escritor, esta é a fase mais difícil de compreensão da obra de Drummond, pois ele trata de questões mais sofisticadas como a morte e o nada. ``Drummond é como uma mina, para conhecê-lo é preciso cavar, ir mais fundo'', metafora.
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