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"A
mulher carioca se identifica com a Radical Chic; a paulista
admira"
FERNANDA
NIDECKER
O
escritor Miguel Paiva está preparando uma novidade
para a 10ª edição da Bienal do Livro: o lançamento do
quarto livro de seu mais famoso personagem, a Radical
Chic. Pela primeira vez, a personagem será a autora
da obra. No "Livro de Pensamentos da Radical Chic",
da Editora Record, a personagem reconta algumas de suas
melhores histórias, revela as inéditas e ainda faz comentários
sobre sexo, homens, casamento, dietas, futebol e sobre
os cenários de suas aventuras, o Rio de Janeiro.
Conte
um pouco sobre o novo livro que está sendo lançado sobre
a Radical Chic.
É
o "Livro de Pensamentos da Radical Chic". É o quarto
livro do personagem, mas primeiro em que ela é a autora.
São frases e comentários seus de histórias antigas e
inéditas também. Ela fala de sexo, casamento, dietas,
homens, futebol, Rio...
Como surgiu a idéia de criar um personagem com as
características da Radical Chic e por que ela tem este
nome?
Queria criar um personagem que fosse ao mesmo tempo
preocupado com a realidade, visto que na época saíamos
de um período autoritário, e também ligada na própria
felicidade pessoal, na busca do prazer. O termo Radical
Chic é de autoria de Tom Wolf e se refere a pessoas
nos anos 60 e 70 que se dividiam entre a vida mundana
e o compromisso social.
Você acredita que a mulher brasileira, em especial
a carioca, se identifica com ela? Em quais aspectos?
Acho que a carioca se identifica e a paulista admira,
por exemplo. A Radical mantém características de ambigüidade,
despudor, transparência, auto-crítica que são bem femininas
e determinam o seu humor. Ele é multifacetada, por isso
identificável por mulheres diferentes entre si ao mesmo
tempo.
A
rotina da Radical, contada em suas histórias, reflete
o dia-a-dia da mulher moderna?
É
o que eu procuro, apesar de não ser um personagem com
características pessoais muito definidas.
A Radical foi criada em 1982. Você já precisou fazer
alguma alteração na sua "personalidade" para adequá-la
melhor ao perfil da mulher atual?
Faço sempre. Ela acompanha as perplexidades e alterações
da nossa vida nesses anos. Hoje, ela é mais light, menos
radical, mais chique e também mais confusa. Busca compreender
as coisas tanto quanto nós nesse mundo sem ideologias
e com tantas questões.
Como será sua participação na Bienal?
Vou participar no dia 26, às 15h, do café literário
junto com o Ziraldo, o Chico e outros cartunistas de
um debate. Às 18h, participo de um evento com a Rádio
MPB FM e a Editora Record falando do livro da Radical
e convidando as pessoas para uma sessão de autógrafos
depois.
Quais são as suas expectativas para a Bienal deste
ano?
Continuo achando que se faz muito livro no Brasil, mas
os leitores não aumentam. É preciso uma campanha para
iniciar o povo na leitura, além dos livros custarem
mais barato, é claro. Eu, pessoalmente, espero vender
bem o livro da Radical.
Há quanto tempo você participa de Bienais?
Já participei de uma com o último livro da Radical,
o Almanaque. Acho que foi a penúltima.
Os seus leitores podem esperar mais novidades para
este ano?
Devo publicar uma coleção do Gatão até o fim do ano.
Já fiz mais de 2.400 tiras e no último livro publiquei
só até a 570. Além do Gatão, devo lançar até setembro
Sentimento Masculino - Manual de Sobrevivência na Selva,
um livro de texto e reflexão sobre o sentimento nos
homens.
Como será esta obra? A mulher atual tem demonstrado
interesse em conhecer mais sobre o universo do coração
dos homens?
Acho que sim. As mulheres estão tão perdidas em relação
aos homens quanto nós em relação a elas. Em relação
a si mesmas estão mais a frente. Se questionam mais
e há mais tempo. Estamos começando agora e no livro
tento aprofundar essas questões com uma viagem interior
e pessoal na chamada selva dos sentimentos.
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