ADRIANA LORETE/AJB"A mulher carioca se identifica com a Radical Chic; a paulista admira"

FERNANDA NIDECKER

O escritor Miguel Paiva está preparando uma novidade para a 10ª edição da Bienal do Livro: o lançamento do quarto livro de seu mais famoso personagem, a Radical Chic. Pela primeira vez, a personagem será a autora da obra. No "Livro de Pensamentos da Radical Chic", da Editora Record, a personagem reconta algumas de suas melhores histórias, revela as inéditas e ainda faz comentários sobre sexo, homens, casamento, dietas, futebol e sobre os cenários de suas aventuras, o Rio de Janeiro.

Conte um pouco sobre o novo livro que está sendo lançado sobre a Radical Chic.

É o "Livro de Pensamentos da Radical Chic". É o quarto livro do personagem, mas primeiro em que ela é a autora. São frases e comentários seus de histórias antigas e inéditas também. Ela fala de sexo, casamento, dietas, homens, futebol, Rio...

Como surgiu a idéia de criar um personagem com as características da Radical Chic e por que ela tem este nome?

Queria criar um personagem que fosse ao mesmo tempo preocupado com a realidade, visto que na época saíamos de um período autoritário, e também ligada na própria felicidade pessoal, na busca do prazer. O termo Radical Chic é de autoria de Tom Wolf e se refere a pessoas nos anos 60 e 70 que se dividiam entre a vida mundana e o compromisso social.

Você acredita que a mulher brasileira, em especial a carioca, se identifica com ela? Em quais aspectos?

Acho que a carioca se identifica e a paulista admira, por exemplo. A Radical mantém características de ambigüidade, despudor, transparência, auto-crítica que são bem femininas e determinam o seu humor. Ele é multifacetada, por isso identificável por mulheres diferentes entre si ao mesmo tempo.

Quadrinho do site www.radicalchic.com.brA rotina da Radical, contada em suas histórias, reflete o dia-a-dia da mulher moderna?

É o que eu procuro, apesar de não ser um personagem com características pessoais muito definidas.

A Radical foi criada em 1982. Você já precisou fazer alguma alteração na sua "personalidade" para adequá-la melhor ao perfil da mulher atual?

Faço sempre. Ela acompanha as perplexidades e alterações da nossa vida nesses anos. Hoje, ela é mais light, menos radical, mais chique e também mais confusa. Busca compreender as coisas tanto quanto nós nesse mundo sem ideologias e com tantas questões.

Como será sua participação na Bienal?

Vou participar no dia 26, às 15h, do café literário junto com o Ziraldo, o Chico e outros cartunistas de um debate. Às 18h, participo de um evento com a Rádio MPB FM e a Editora Record falando do livro da Radical e convidando as pessoas para uma sessão de autógrafos depois.

Quais são as suas expectativas para a Bienal deste ano?

Continuo achando que se faz muito livro no Brasil, mas os leitores não aumentam. É preciso uma campanha para iniciar o povo na leitura, além dos livros custarem mais barato, é claro. Eu, pessoalmente, espero vender bem o livro da Radical.

Há quanto tempo você participa de Bienais?

Já participei de uma com o último livro da Radical, o Almanaque. Acho que foi a penúltima.

Os seus leitores podem esperar mais novidades para este ano?

Devo publicar uma coleção do Gatão até o fim do ano. Já fiz mais de 2.400 tiras e no último livro publiquei só até a 570. Além do Gatão, devo lançar até setembro Sentimento Masculino - Manual de Sobrevivência na Selva, um livro de texto e reflexão sobre o sentimento nos homens.

Como será esta obra? A mulher atual tem demonstrado interesse em conhecer mais sobre o universo do coração dos homens?

Acho que sim. As mulheres estão tão perdidas em relação aos homens quanto nós em relação a elas. Em relação a si mesmas estão mais a frente. Se questionam mais e há mais tempo. Estamos começando agora e no livro tento aprofundar essas questões com uma viagem interior e pessoal na chamada selva dos sentimentos.

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