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LUIS
FERNANDO VERISSIMO
O
quieto ilustre da Bienal
LEANDRO
MAZZINI
Certa
vez um menino viajou de trem com o pai. Contam que o
velho lhe fez uma pergunta no início da viagem e o garoto,
contemplativo, só respondeu horas depois, quando chegaram
à estação de destino. Provavelmente, o menino viu e
respirou literatura durante todo o percurso, com olhos
no horizonte e pensamentos que flutuavam numa imaginação
fértil. A criança foi crescendo e a viagem continuou
em seus olhos, em suas palavras, em suas metáforas,
no semblante sereno e na sensibilidade de um intelectual.
O pai, Erico Verissimo, foi o mestre. O filho, Luis
Fernando, o discípulo.
Luis Fernando mora até hoje na mesma casa em que seu
pai formou o clã dos Verissimo. Longe das badalações
- comprometido com literatura até no nome - o filho
de Erico só começou a produzir aos 30 anos e, em sua
quietude, criou e ainda dá vida a personagens que marcam
sua obra e provocam sorrisos nos leitores com humor
sutil e inteligente. O berço de tudo isso é uma máquina
de escrever IBM elétrica, que tem história: o privilégio
de ser confidente de duas gerações de literatos. Era
nela que Erico encontrava seu refúgio produtivo, e ainda
é nela que Luis Fernando mantém viva a herança de fazer
da palavra uma magia.
Como
autor consagrado e considerado o melhor cronista da
atualidade, você se sente na responsabilidade de ter
que escrever bem todos os dias?
Olha, devo tentar sempre fazer o melhor possível, mas
isso é circunstancial. Às vezes não tenho inspiração.
E
onde você busca inspiração?
A inspiração é misteriosa. Às vezes invento alguma coisa,
porque na crônica vale tudo.
Certa
vez você disse que só falta colocar ’isso é uma ironia’
em seus textos. Neste "vale-tudo", você não se preocupa
como o leitor vai interpretá-lo?
Eu tento ser o mais claro possível, mas certos leitores
não conseguem interpretar como eu queria.
Você
acredita na existência da Velhinha de Taubaté? Qual
seria o recado dela para o presidente em relação ao
racionamento de energia?
(risos) Nem ela acredita mais no presidente
E
a Doravante, vai escrever sobre isso?
Ela já deu sinal de que vai escrever uma carta sobre
o "apagão". Estou voltando de férias nesta semana e
a ’Dora’ também.
Qual
personagem de seus livros você gostaria de encarnar?
Queria
ser um pouco a Velhinha de Taubaté. Ter essa ingenuidade
que ela tem em relação a Brasília.
Quais
são seus pecados como escritor?
A superficialidade. Escrevo muito, todos os dias.
Mas
não perde a irreverência...
(risos) Tento dar o melhor possível, tento ser claro...
Como
você vê o corpo-a-corpo com o leitor nas bienais?
Acho importante, apesar de eu não ser muito de aparecer,
de ter esse contato. Mas não tem muito jeito, a gente
tem que aparecer de vez em quando.
Você
herdou esse jeito de seu pai?
O pai era introspectivo. Ele também não gostava de aparecer.
Pretende
entrar para Academia Brasileira de Letras?
Não
pretendo. Respeito os Imortais, mas não vejo muita importância
nisso.
Quais
as perspectivas para a literatura no Brasil?
A literatura tem futuro. Seja nos livros ou no e-book,
que se torna um meio alternativo de leitura. As perspectivas
são as melhores possíveis.
Defina
Verissimo por Verissimo?
Não sou introspectivo a esse ponto (risos).
Biografia de Veríssimo
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