AUTORES ESPANHÓIS : : PAINEL : : OUTROS AUTORES

Um solitário Direitinho

Escritor é o único representante português na Bienal do Livro

País homenageado na última Bienal do Livro do Rio, em 1999, Portugal estará de volta à feira deste ano - que acontece a partir de quinta-feira, no Riocentro - representado por um único escritor: José Riço Direitinho, 35, que terá seu romance Breviário das más inclinações lançado pela editora Gryphus. Com quatro livros publicados, dois deles de contos, o autor, agrônomo de formação e dono de uma narrativa realista sobre a decadência da zona rural de seu país, é um exemplar da nova geração de escritores portugueses que se desenvolveu sem o peso da ditadura que controlou o país por quatro décadas, até 1974.

Autores espanhóis

Carmen Posadas
Do romance à literatura infantil

Ganhadora do Prêmio Planeta - o mais importante prêmio literário espanhol - em 1998, com o romance Pequenas Infâmias, editado no Brasil no mesmo ano, Carmen Posadas é um dos destaques da literatura espanhola contemporânea. Em 1996, lançou seu primeiro romance, Cinco moscas azules, que se transformou em grande sucesso de vendas e público. Carmen é também escritora de livros infantis, com mais de dez títulos publicados. Com El señor viento Norte, ganhou o Prêmio Nacional de Literatura, como o melhor livro publicado em 1985. Seu mais recente trabalho, Um Veneno Chamado Amor, será lançado no país em breve. A autora participa do Café Literário Prazeres e Infâmias do Amor, do dia 19 de maio, às 18 horas.


Manuel Vázquez Montalbán
Um personagem e tanto

Catalão, 62 anos, Manuel Vázquez Montalbán é conhecido do público brasileiro. Sete de seus romances foram traduzidos para o português, entre os quais O Estrangulador, Autobiografia do General Franco e O Quinteto de Buenos Aires. Montalbán é o criador de um dos personagens mais conhecidos da literatura espanhola atual, o detetive-gourmet Pepe Carvalho. O ciclo de romances protagonizado por Pepe, iniciado com Os Mares do Sul, é sucesso internacional e já ganhou até programa de televisão. Manuel Montalbán, que também é jornalista, tem uma produção literária tão variada quanto premiada, que inclui mais de 50 romances, ensaios, biografias, reportagens, obras de teatro e até um dicionário de gastronomia. O autor estará no Café Literário Detetive em ação: o romance policial espanhol, dia 20 de maio, às 16h30.


Antonio Soler
Da Espanha para o mundo

Roteirista de televisão e jornalista, Antonio Soler nasceu em Málaga, Espanha, em 1956. Com três romances publicados e um livro de contos, o escritor já recebeu alguns dos mais importantes prêmios literários da Espanha: o Prêmio Heralde e o da Crítica por seu romance As Dançarinas Mortas, publicado no Brasil em 1998, e o Prêmio da Primavera, com seu último livro, El nombre que ahora digo. Seus romances já foram traduzidos para diversas línguas, como francês, italiano, grego, alemão e romeno. Antonio Soler é o entrevistado do Café Literário O real e o imaginário, dia 18, às 17h30, e participa do Evento Nobre Os Herdeiros de Cervantes, dia 20 de maio, às 15 horas.

 

Do romance à poesia
Um painel da literatura espanhola contemporânea

J.J. Armas Marcelo
O escritor e jornalista, formado em filologia clássica, recebeu vários prêmios como o Galdós, em 1975, pelo romance El camaleón sobre la alfombra e o Premio Internacional de Romance Plaza & Janés por Los dioses en sí mismos, publicado em 1996. Em seu mais recente trabalho, El niño de luto y el cocinero del Papa, Marcelo volta a um cenário que o fascina: Cuba e a cidade de Havana. O autor participa do Evento Nobre Brasil e Espanha: intercâmbios lingüísticos e culturais, dia 18 de maio, às 17 horas, no Auditório Murilo Mendes.

Manuel Vicent
Jornalista, advogado e escritor, Manuel Vicent nasceu em Valencia mas desde os anos 60 vive em Madri. Entre seus 15 trabalhos publicados, destacam-se Pascua y naranjas, A favor del Placer e a peça teatral Borja Borgia. O livro de viagens Por la Ruta de la Memoria e Son de Mar, pelo qual recebeu o Prêmio Alfaguara de Romance em 1999, foi adaptado para o cinema. As filmagens já começaram e estão a cargo do cineasta Bigas Luna, que os brasileiros conhecem de A Camareira do Titanic e Jamón Jamón. O escritor estará no Café Literário Jornalismo e literatura, dia 19 de maio, às 14 horas.

Carlos Casares
Presidente do Pen Club de Galicia, Carlos Casares recebeu diversos prêmios, entre eles o da Crítica Espanhola em 1975 e o \Prêmio da Crítica Gallega em 1982. Em 1989 o governo da Galícia concedeu-lhe a mais alta homenagem literária do país pelo conjunto de sua obra. Los oscuros cuentos de Clío, Ilustrísima, Los muertos de aquel verano e Dios sentado en un sillón azul são alguns de seus trabalhos mais importantes. O escritor participa do Evento Nobre Os Herdeiros de Cervantes, dia 20 de maio, às 15 horas, no Auditório Carlos Drummond de Andrade.

Gonzalo Suárez
Escritor e cineasta, Gonzalo Suárez estreou no cinema em 1966, com o curta-metragem Ditirambo vela por nosotros, baseado em um livro de contos de sua autoria. Entre outras obras, publicou De cuerpo presente (também adaptado para o cinema), o livro de contos Trece veces trece, e La reina rosa. Seu filme mais importante é Remando al viento. Atualmente, Suárez filma o roteiro de seu último livro, inspirado na história do Marquês de Sade.

Cristina Fernández Cubas
A autora, que já morou no Brasil, estreou na literatura em 1980 com o livro de contos Mi hermana Elba. Publicou também Los altillos de Brumal, Con Agatha en Estambul e a peça de teatro Hermanas de Sangre, entre outras obras. Cristina acaba de lançar na Espanha seu primeiro livro fora do universo da ficção, Cosas que ya no existen, em que evoca momentos de sua infância e juventude. A escritora é a convidada do Café Literário Encontro com autor espanhol, dia 18 de maio, às 16h30.

Manuel de Lope
O escritor Manuel de Lope nasceu em Burgos em 1949 e começou a escrever desde muito jovem. Morou mais de 20 anos na França e, desde 1993, reside em Madri. Entre seus trabalhos mais recentes destacam-se Bella en las tinieblas, Shakespeare al anochecer e El otoño del siglo, romance publicado em 1999 e aclamado pela crítica espanhola. O escritor estará no Café Literário Detetive em ação: o romance policial espanhol, dia 20 de maio, às 16h30.


Outros autores internacionais

Domenico De Masi
O ócio produtivo
Por onde passa, ele acende o debate. O escritor e filósofo Domenico De Masi, Professor de Sociologia do Trabalho na Universidade de Roma, é um dos convidados da X Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, onde dá uma Conferência sobre A vida como ócio, dia 19 de maio, às 17 horas, no Auditório Carlos Drummond de Andrade.

Suas teorias vêm revolucionando as relações de trabalho: entre outras coisas, ele afirma que "tempo livre é fundamental para a qualidade da produção." De Masi defende o ócio produtivo e a recuperação de 'luxos' perdidos hoje em dia, como tempo, espaço, silêncio e segurança.

Para o escritor, "as condições para a construção da sociedade do lazer são: a grande arte, a grande literatura e a grande universidade". Ele considera os burocratas os grandes inimigos do espírito criador, pois "só enxergam os limites e nunca as oportunidades."

E quanto ao desemprego, que muitos classificam como um dos maiores problemas do mundo atual, De Masi diz que "a desocupação, que surge como uma ameaça, logo se revela uma oportunidade de reorganizar o trabalho e a sociedade." O professor prega a integração entre estudo, trabalho e tempo livre, que nos acostumamos a ver sempre como antagonistas.


José Eduardo Agualusa
Raízes da África

O escritor vem à Bienal lançar o livro Um Estranho em Goa, (dia 20 de maio, às 17 horas, no Café Literário), que mistura relatos de viagem e aventura. Nele, Agualusa capta com grande sensibilidade a atmosfera da província indiana. Com este trabalho, destaca-se como o autor mais importante da comunidade dos países de língua portuguesa do momento. O escritor participa do Café Literário Atenção, talento!, dia 21 de maio, às 20 horas.

Nascido na cidade de Huambo, em Angola, em 1960, descendente de portugueses e brasileiros, Agualusa começou a trabalhar como jornalista ainda jovem, em Luanda. Devido à censura imposta à imprensa (Luanda vive em guerra civil desde a independência, em 1975), exilou-se "voluntariamente", no início dos anos 90.

Depois de viver em Lisboa, o escritor se estabeleceu no Rio de Janeiro, em 1999. Itinerante, poderia se considerar cidadão do mundo, mas não abre mão de sua identidade africana. No momento, mora em Berlim, graças a uma bolsa de uma instituição alemã.

O racismo é um assunto que ele aborda em praticamente todos os livros, como Nação Crioula, lançado no Brasil e traduzido para várias línguas. Interessa-o não apenas o conflito entre negros e brancos, mas a integração entre raças, a mestiçagem.

Em apenas uma década, Agualusa escreveu romances, A Conjura (1989) e Estação das chuvas (1996); novela, A Feira dos Assombrados (1992); poemas Coração dos Bosques (1991); contos, D. Nicolau Água-Rosada e outras Estórias Inverossímeis (1990) e Fronteiras Perdidas (1999).

O autor conhece bem as culturas portuguesa e brasileira e cita, entre suas influências literárias, Eça de Queiroz, Jorge Amado, Rubem Fonseca e sobretudo o argentino Jorge Luis Borges.

 

José Riço Direitinho
Retrato de Portugal

Português, nascido em Lisboa em 1965, José Riço Direitinho é considerado um dos melhores escritores de sua geração. Seu livro, Breviário das Más Inclinações, que dá prosseguimento à Coleção Identidades, será lançado dia 20 de maio, às 17 horas, no Café Literário. Através da fascinante narrativa da vida de José do Risso, personagem principal da obra, o autor mostra o retrato de um Portugal que se modifica rapidamente, ancorado em suas tradições.

Ao contrário do que se possa supor, a formação acadêmica de José Riço Direitinho não passou pelas Letras. Licenciado em Agronomia, com especialização em Economia e Sociologia Rural, pela Universidade Técnica de Lisboa, o autor publicou, em 1992, seu primeiro livro. A Casa do Fim -, ainda inédito no Brasil.


Margaret George
Paixão pela História

Apaixonada por biografias de grandes nomes da História, já escreveu sobre Henrique VIII, Mary, a rainha da Escócia, e Maria Madalena. Seu terceiro e último livro, Memórias de Cleópatra, é bestseller nos Estados Unidos. Para escrevê-lo, a escritora americana Margaret George foi quatro vezes ao Egito, esteve em Roma, Israel e Jordânia. E passou a conhecer o British Museum, de Londres, como a palma da mão.

É para revelar algumas de suas descobertas sobre este personagem, que continua a exercer uma atração toda especial sobre o público, que Margaret vem à X Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. Ela é a entrevistada do Café Literário Cleópatra: o épico e o erótico, dia 26 de maio, às 18h30.

Margaret diz que não planejou dedicar-se a biografias históricas, mas que adora o que faz: "Gosto do trabalho de pesquisa em livros, das viagens e, claro, da possibilidade de criar histórias". Seu próximo projeto é Helena de Tróia. Depois da Bienal, Margaret segue para a Turquia, onde começa a mergulhar no universo de seu próximo personagem.

Uma curiosidade: a autora começou a escrever ainda criança, quando morou em Israel com os pais, dos sete aos nove anos. Como havia poucos títulos infantis em inglês - e também porque lia muito - ela decidiu escrever os seus próprios livros. Uma das primeiras histórias que criou foi justamente sobre Cleópatra. Isso, em 1956.


Shere Hite
Sexo no trabalho

Ela ficou conhecida nos anos 70 por revolucionar os conceitos do prazer sexual feminino com seu famoso Relatório Hite. E é para lançar seu último livro, Sexo e Negócios (Editora Bertrand Brasil), que a escritora Shere Hite vem à X Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. Ela é a entrevistada do Café Literário À Flor da pele, sexo e negócios, dia 19 de maio, às 16h30.

Esta é a primeira vez que a Dra. Hite visita o Brasil. Mais uma vez, defende um tema que promete render debates animados: o de que as relações afetivas e sexuais entre colegas são lucrativas para a empresa. A autora traça também um perfil do mercado de trabalho feminino no mundo, através de depoimentos dos principais executivos de grandes empresas mundiais.

Bonita, elegante e controvertida na mesma proporção Shere Hite, que já foi modelo, pretende não apenas lançar a edição brasileira de Sexo e Negócios, mas também dar continuidade às suas pesquisas. Agendou encontros com empresários cariocas para saber deles qual a posição das empresas daqui em relação à mulher no mercado de trabalho. Promete provocar mais polêmica.

Aos 57 anos, nascida no Missouri, a escritora viaja com passaporte alemão, nacionalidade que escolheu depois de deixar os Estados Unidos, em 1994, magoada com algumas críticas, que apontavam falta de base científica em suas pesquisas. Depois do Relatório Hite publicou ainda Relatório Hite - Homens e Relatório Hite - Família, além de outros livros sobre relações femininas.


Pedro Juan Gutiérrez
O cronista de Havana

"A arte só importa quando irreverente, atormentada, cheia de pesadelos e desespero". A frase, do escritor cubano Juan Pedro Gutiérrez, dá bem a medida do estilo deste que está sendo considerado uma das maiores revelações da literatura cubana atual. Gutiérrez é o entrevistado do Café Literário Desvio de conduta: existe literatura marginal?, dia 23 de maio, às 20 horas.

Seu livro, Trilogia suja de Havana, publicado no Brasil em 1999, e nunca editado em Cuba, apresenta uma visão impiedosa da ilha de Fidel. Nas três histórias apresentadas, os personagens - sempre baseados em pessoas que o autor conheceu - travam uma luta desesperada pela sobrevivência. São bêbados, mendigos e prostitutas. Gutiérrez reconhece que 90% da obra, inclusive, são autobiográficos. "Às vezes penso que me desnudei em demasia diante do público. Trilogia é uma catarse, que escrevi entre 1994 e 1997, quando saía de um divórcio e tive que me separar de meus filhos. Além disso, o país estava em crise e meu pai havia morrido."

Nascido em Cuba, em 1950, Gutiérrez, que já trabalhou como vendedor de jornais e cortador de cana-de-açúcar, diz que suas paixões são a pintura e a literatura, que ele descobriu porque teve a sorte de morar próximo a uma das melhores bibliotecas de seu tempo, onde passava horas lendo desde comics (muito populares nos anos 50) até Truman Capote, que ele diz ser uma das influências mais fortes de seu trabalho, ao lado de Norman Mailer, Grace Paley e Salinger, além de Cortázar e Kafka.

Além da leitura de comics e da poesia, que escreve desde os 13 ou 14 anos, o trabalho como jornalista foi fundamental para que ele se tornasse escritor, como ele explica: "A poesia me ensinou a trabalhar palavra por palavra. O jornalismo me deu o lado pragmático." Gutiérrez publicou ainda O rei de Havana (editado no Brasil em fevereiro deste ano). Até o fim do ano, Animal tropical, seu próximo livro, será publicado



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