A volta dos investimentos no campo

Para conter instabilidade da região, banco vai
disponibilizar US$ 6 bilhões numa linha permanente


ISABEL CLEMENTE

FORTALEZA - O presidente do BID, o uruguaio Enrique Iglesias, admitiu que está havendo ''uma retomada de interesse'' do banco por projetos destinados à área rural. O mesmo acontece no Banco Mundial. ''É uma carteira de projetos que vinha diminuindo mas ganhou força e volta a crescer no mundo todo, principalmente no Brasil'', disse John Redwood, diretor do banco para Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável na América Latina e Caribe.

''Há mais pobres nos centros urbanos, devido à concentração populacional, mas a pobreza rural é mais séria e profunda'', completa Redwood. Cientista social e profundo conhecedor da realidade brasileira, ele acha que o desinteresse veio também dos governos, porque os desembolsos do banco aumentam à medida que a demanda cresce.

A carteira de projetos do Banco Mundial para a área rural na América Latina, de 1999 para cá, chegou a US$ 3,9 bilhões, dos quais US$ 1,4 bilhão no Brasil. ''Os benefícios desses programas não são imediatos. Se, por causa de um projeto de irrigação, um menino parou de trabalhar no campo, esse é um efeito para daqui a dez ou quinze anos, quando ele entrar no mercado de trabalho'', diz Redwood.

Uma mudança estratégica do banco tornou mais eficazes as iniciativas no campo. Hoje, quem executa e controla os recursos emprestados aos Estados são as associações comunitárias. ''Antes, apenas 40% dos recursos chegavam ao destino final. Agora, o aproveitamento tem sido de 93%'', conta Luís Coirolo, especialista do Banco Mundial em Desenvolvimento Rural.

Fazendo diagnósticos e estudos econômicos, o banco ajuda também a identificar projetos e a atrair negócios para áreas já beneficiadas com recursos emprestados. ''Por estarem organizadas para gerir o dinheiro, as comunidades se tornam boas candidatas a outros projetos'', diz Redwood.

Hoje, 200 delas, aproximadamente, vendem mel, castanha e melão para o mercado europeu. ''Pode chegar a mil'', prevê Coirolo, citando o grau de organização dessas ''vilas e famílias rurais'' que sabem gerir os empréstimos do Banco Mundial.

Crédito bilionário para latinos em crise

[08/02/2002]

   Home > especiais > BID

Copyright© 1995, 2002, Jornal do Brasil, Primeiro Jornal Brasileiro na Internet