FORTALEZA - O presidente do BID, o uruguaio Enrique Iglesias,
admitiu que está havendo ''uma retomada de interesse'' do
banco por projetos destinados à área rural. O mesmo acontece
no Banco Mundial. ''É uma carteira de projetos que vinha
diminuindo mas ganhou força e volta a crescer no mundo todo,
principalmente no Brasil'', disse John Redwood, diretor
do banco para Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável
na América Latina e Caribe.
''Há mais pobres nos centros urbanos, devido à concentração
populacional, mas a pobreza rural é mais séria e profunda'',
completa Redwood. Cientista social e profundo conhecedor
da realidade brasileira, ele acha que o desinteresse veio
também dos governos, porque os desembolsos do banco aumentam
à medida que a demanda cresce.
A carteira de projetos do Banco Mundial para a área rural
na América Latina, de 1999 para cá, chegou a US$ 3,9 bilhões,
dos quais US$ 1,4 bilhão no Brasil. ''Os benefícios desses
programas não são imediatos. Se, por causa de um projeto
de irrigação, um menino parou de trabalhar no campo, esse
é um efeito para daqui a dez ou quinze anos, quando ele
entrar no mercado de trabalho'', diz Redwood.
Uma mudança estratégica do banco tornou mais eficazes as
iniciativas no campo. Hoje, quem executa e controla os recursos
emprestados aos Estados são as associações comunitárias.
''Antes, apenas 40% dos recursos chegavam ao destino final.
Agora, o aproveitamento tem sido de 93%'', conta Luís Coirolo,
especialista do Banco Mundial em Desenvolvimento Rural.
Fazendo diagnósticos e estudos econômicos, o banco ajuda
também a identificar projetos e a atrair negócios para áreas
já beneficiadas com recursos emprestados. ''Por estarem
organizadas para gerir o dinheiro, as comunidades se tornam
boas candidatas a outros projetos'', diz Redwood.
Hoje, 200 delas, aproximadamente, vendem mel, castanha
e melão para o mercado europeu. ''Pode chegar a mil'', prevê
Coirolo, citando o grau de organização dessas ''vilas e
famílias rurais'' que sabem gerir os empréstimos do Banco
Mundial.
Crédito
bilionário para latinos em crise
[08/02/2002]