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Carta
da Ação da cidadania
Chega!
Vamos dar um basta nesse processo insensato e genocida gerador
da miséria que coloca milhões de pessoas nos limites insuportáveis
da fome e do desespero.
O tempo da
miséria absoluta e da resignação com esse quadro acabou. O tempo
da conciliação e do conformismo acabou. A sociedade brasileira
definiu a erradicação da miséria como sua prioridade absoluta.
Esse é o clamor ético de nossos tempos, ao qual tudo o mais deve
se subordinar. Essa deve ser a prioridade da sociedade e do Estado.
Essa é a obrigação de cada um e de todos.
Tudo deve
responder a essa questão. O orçamento público, as políticas, as
ações governamentais e não governamentais, as atividades produtivas,
comerciais e financeiras, as atividades de ensino e cultural,
em que medida dão prioridade à solução dessa questão? Ou em que
medida ajudam a aprofundar esse fosso que nos separa e nos divide
entre os que tem e os que vivem na mais profunda miséria?
Não se pode
viver em paz em situação de guerra. Não se pode comer tranqüilo
em meio à fome generalizada. Não se pode ser feliz num país onde
milhões se batem no desespero do desemprego, da falta das condições
mais elementares de saúde, educação, habitação e saneamento. Não
se pode fechar a porta à consciência, nem tapar os ouvidos ao
clamor que se levanta de todos os lados.
A insanidade
de um país que marginalizou a maioria deve terminar agora. O Brasil
precisa mobilizar todas as energias para mudar de rumo e colocar
um fim à miséria. Devemos criar em todos os lugares a ação da
cidadania em luta contra a miséria e pela vida.
Precisamos
todos constituir esse movimento. Podemos ainda produzir o encontro
do Brasil com sua própria sociedade. Democracia e miséria não
são compatíveis.
Rio de
Janeiro, julho de 1993.

Herbert
de Souza
MOVIMENTO
PELA ÉTICA NA POLÍTICA
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