Jornal do Brasil
Índice para outras editorias


Usina nuclear não causou, até agora, alterações ambientais

NILO SÉRGIO GOMES
JB Online

RIO - Nos próximos dias, a Usina Nuclear de Angra II iniciará o fornecimento de energia nucleoelétrica à rede do sistema elétrico nacional, reduzindo o risco de um colapso no fornecimento desse serviço. Serão, inicialmente, 300 megawatts (MW) que serão adicionados à capacidade instalada de geração, que hoje é de 62 mil MW, e, até agosto espera-se que a usina esteja operando a plena capacidade, isto é, de gerar 1,3 mil MW.

A única alteração registrada no ecossistema de Angra dos Reis, em decorrência das atividades da Usina de Angra I, atualmente parada para manutenção, é um tipo de alga marinha que vivia sob as águas da praia de Piraquara de Fora e que hoje não se encontra mais no mesmo local. Em substituição, apareceram algas de constituição mais forte do que as antigas.

A informação consta dos registros do Laboratório de Monitoramento do Meio Ambiente da Eletronuclear, em Angra dos Reis, que, desde 1978, colhe amostras e realiza pesquisas para detectar o impacto das atividades da Usina de Angra I sobre o ecossistema local, realizando medições radiológicas desde antes da entrada em operação da primeira usina nucleoelétrica do Brasil.

Pesquisa - "Colhemos amostras e pesquisamos todos os elementos que compõem o meio ambiente, desde o ar, água do mar, algas, areias das praias, sedimentos marinhos e os peixes sedentários e de curso, até os pastos existentes nas proximidades da usina, o leite extraído do gado, a água de superfície, as plantas e os ventos", disse ao JB Online o diretor do Laboratório, Sérgio Ney, um químico com pós-graduação em Química Nuclear.

De acordo com as pesquisas e observações feitas pelos 16 pesquisadores do laboratório, os valores radiotivos na região onde está instalado o complexo nuclear de Angra são os mesmos de 1978, quando se iniciaram as pesquisas, com base em materiais coletados na área. "Realizamos um programa de controle biológico, com todas as espécies de vida", afirmou Ney.

Os pesquisadores do laboratório de Angra recolhem espécies de peixe, que são guardadas para análise e acompanhamento. São coletados desde os peixes sedentários, isto é, que vivem naquelas praias, até os de curso, que são os que passam por aquelas praias sem, entretanto, terem ali o seu habitat.

O trabalho de pesquisa alcançou um nível de especialização tal que o laboratório está para ser credenciado pela Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema) para prestar serviços para terceiros.

"Há uma grande demanda por esse tipo de especialização e, assim que obtivermos a licença para prestar o serviço, iremos atender a essa clientela potencial", informou Ney, acrescentando que as projeções apontam para uma receita adicional à Eletronuclear que pode chegar a R$ 1 milhão por ano.

A única alteração, segundo ele, foi o deslocamento das algas que viviam na praia de Piraquara de Fora, onde é feito o despejo das águas captadas na praia de Itaorna e cujo papel é refrigerar o gerador de vapor. Essa água, que não entra em contato com material radioativo, segue por um duto que passa por baixo do morro existente atrás da usina e é despejada em Piraquara de Fora, com sua temperatura alterada face à troca de calor realizada no gerador de vapor. Dai a razão da saída das algas daquele habitat.

"Era um tipo de alga mais fina, que acabou sendo substituída por um outro tipo mais resistente à temperatura da água", observou Ney.


 

 

 





USINA NUCLEAR NÃO CAUSOU, ATÉ AGORA, ALTERAÇÕES AMBIENTAIS

BRASIL IMPORTA ENERGIA DA ARGENTINA PARA EVITAR COLAPSO

 

 

Leia o especial do
JB Online sobre
a usina Angra II
Especial Angra II

 

 

Perigos da radiação Inauguração de Angra II Crise de energia