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Chuvas deste ano deixaram os reservatórios mais abastecidos

NILO SÉRGIO GOMES
JB Online

RIO - As chuvas deste ano foram mais generosas do que a do ano passado, deixando os reservatórios de água das usinas hidrelétricas mais abastecidos. É o que revelou ao JB Online o presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Mário Santos.

Em 30 de abril de 1999, os reservatórios das hidrelétricas tinham acumulado 60% de sua capacidade, percentual que, neste último 30 de abril, elevou-se a 70%. Com isso, espera-se que, no final do período da seca, esses reservatórios estejam com cerca de 25% de sua capacidade, diferentemente do ano passado quando, em novembro, a água acumulada neles estava a 18% da capacidade, no Sudeste, e a incríveis 11%, no Nordeste.

"A nossa previsão é de que, considerando uma depreciação de 5% ao mês nesses reservatórios, que sobe a 7% nos meses de julho e agosto, possamos chegar ao final do ano com um percentual de, no mínimo, 25%, o que é bem mais confortável do que no ano passado", disse Santos. Com esse volume, as chuvas do próximo verão elevarão ainda mais os reservatórios, que poderão entrar na seca de 2001 com 80% ou mais de sua capacidade. "O problema é se não chover tanto", ressalva.

Período mais crítico - Na opinião do principal executivo do ONS, empresa privada constituída em agosto de 1998 e formada pelas empresas do setor, o período mais crítico para o fornecimento de energia elétrica serão os meses de agosto e setembro, quando a maior parte das obras em andamento ainda não terá terminado e quando os reservatórios estarão baixando seus níveis, em decorrência do aumento de consumo verificado em julho.

Passado setembro a situação melhora, com a entrada em vigor do horário de verão. Porém, aquele será o mês mais crítico e, para evitar qualquer problema, o ONS está orientando as usinas geradoras para que evitem realizar paradas de manutenção de máquinas naquele período. "Nossa previsão é de que, em setembro, teremos apenas uma máquina em manutenção", disse.

A possibilidade de uma redução no fornecimento de energia elétrica, nos próximos meses, é admitida por algumas fontes do governo que, entretanto, evitam fazer declarações públicas. Para o presidente da ONS, entretanto, qualquer prognóstico de racionamento é precipitado. Em sua opinião, a adoção dessa alternativa será melhor avaliada em julho, quando há um aumento da demanda e também quando já é possível projetar melhor a capacidade de fornecimento, mediante os níveis dos reservatórios de água das hidrelétricas.

"Quanto mais alto forem os níveis das águas nos reservatórios, em dezembro próximo, menor será a possibilidade de um racionamento no próximo ano", adianta Santos, que, entretanto, entende já ser a hora de o capital privado dar respostas às necessidades energéticas do país.

"É a hora e a vez do capital privado dizer a que veio. Se ele não funcionar, caberá ao governo Federal tomar as medidas cabíveis", disse o presidente do ONS.


 

 

 





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