Jornal do Brasil
Índice para outras editorias


Pinguelli diz que a situação
no Sudeste é mais crítica

NILO SÉRGIO GOMES
JB Online

Foto de Carlo Wrede RIO - racionamento de energia elétrica será inevitável. O país ficou quase uma década sem investimentos no setor e as privatizações já realizadas neste segmento da economia ainda não resultaram em nenhuma nova inversão de capital, visando o aumento da capacidade de geração de energia elétrica. Como a maioria das usinas térmicas ainda não saiu do papel e são plantas que levam de três a quatro anos para construção, a redução no fornecimento de energia será inevitável.

É o que pensa o professor Luiz Pinguelli Rosa, do Programa de Planejamento Energético da Coordenação dos Programas de Pós-graduação em Engenharia (COPPE), da qual é vice-diretor. "Só não sei dizer quando se dará esse racionamento", afirma, advertindo que a medida poderá ser aplicada através de cortes seletivos, de modo a não comprometer todo o sistema e, também, não alarmar a população.

Segundo ele, a situação é crítica principalmente no Sudeste e parte do Centro-Oeste, podendo haver redução no fornecimento de energia para estados como Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Brasília e Mato Grosso do Sul.

Economia - "O programa de privatização é o principal responsável pela situação que o país está vivendo neste setor", aponta Pinguelli, acrescentando que "o capital estrangeiro comprou ativos mas, até agora, não investiu nada. Só quer o lucro fácil, em cima do que já estava construído", diz.

Para Pinguelli, o país deveria, o quanto antes, priorizar um programa de economia no consumo desse serviço, combatendo-se o desperdício, e o governo não deveria esconder da população a gravidade da crise, de modo a conseguir uma maior cooperação de todos os cidadãos. Além disso, ele sugere que as empresas de grande porte sejam estimuladas a instalar geradores, usando o gás natural, e que haja um maior uso das chamadas fontes alternativas de energia, como a éolica e a extraída do bagaço da cana.

Uma outra proposta do vice-diretor da COPPE é a rediscussão do programa de privatização, pois, em sua opinião, a energia é um bem estratégico para o país e a sua geração não deveria passar para as mãos estrangeiras, face à perda de soberania neste aspecto e ao encarecimento da prestação do serviço, em razão da própria essência dessas empresas e das altas margens de lucro praticadas por elas.


 

 

 







BRASIL IMPORTA ENERGIA DA ARGENTINA PARA EVITAR COLAPSO

• Para Luiz Pinguelli Rosa o racionamento será inevitável

Nível dos reservatórios é maior do que no ano passado

 

USINA NUCLEAR NÃO CAUSOU, ATÉ AGORA, ALTERAÇÕES AMBIENTAIS

 

 

 

Leia o especial do
JB Online sobre
a usina Angra II
Especial Angra II

 

 

Perigos da radiação Inauguração de Angra II Crise de energia