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Energia nuclear
ainda suscita polêmica


Os números da
energia no país

 


 

Angra II reduzirá
situação crítica do setor

NILO SÉRGIO GOMES
JB Online

As turbinas de Angra II

RIO - É consenso, entre os especialistas do setor energético brasileiro, que a recessão provocada pelo ajuste estrutural da economia, induzido pelo Plano Real, livrou o Brasil de um profundo racionamento no setor elétrico. O país possui, hoje, 62 mil MW (megawatts) de capacidade instalada e a demanda, em momentos de pico, pode chegar a 54 mil MW, incluindo, as perdas técnicas inerentes ao processo de geração e transmissão de energia elétrica.

Com o crescimento do consumo à média de 3% ao ano, a simples instalação de algumas indústrias no país, situação mais do que provável em uma retomada da atividade econômica, poderá colocar em risco a capacidade de fornecimento de energia elétrica, o que obrigará as autoridades a colocarem em prática o racionamento do consumo, como já advertiu várias vezes o físico Luiz Pinguelli Rosa, autoridade no assunto.

O plano de ampliação da capacidade energética do Brasil, elaborado para o decênio 1996-2006, prevê, para daqui a seis anos, uma capacidade instalada de 90.270 MW, dos quais, 75.031 MW, ou, 83,2%, advindos das hidrelétricas; e 15.179 MW, ou, 16,8%, das usinas térmicas (carvão, óleo, gás e nuclear), dos quais, 3.275 MW das usinas de Angra I, II e III. O plano prevê a construção de termelétricas a gás que, entretanto, ainda não sairam do papel.

"O governo está no desespero porque vê que ninguém investe na construção das termelétricas previstas, e para as quais chamou capitais estrangeiros, por causa do elevado custo do gás", aponta o professor Maurício Tolmasquim, coordenador do Programa de Planejamento Energético da Coordenação dos Programas de Pós-graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE-UFRJ).

Exemplo da carência - Para se ter uma idéia da carência de capacidade elétrica do Brasil, a parada para manutenção e troca de combustível da Usina de Angra I, que deveria ter ocorrido em meados do ano passado, só aconteceu no último dia primeiro de maio. A prorrogação da parada visou atender a uma solicitação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), entidade privada constituída em agosto de 1998, cuja função é coordenar e controlar as operações de geração e transmissão de energia elétrica no país.

O temor de que o aumento da demanda no período de final de ano e do verão pudesse provocar blecautes e apagões nos grandes centros urbanos, levou o ONS a pedir que a parada de Angra I só acontecesse após o verão, de forma a manter no sistema os 657 MW produzidos pela primeira usina nuclear do país. Passado o período crítico, Angra I está parada para manutenção e troca de um terço do combustível, com o retorno de sua produção previsto para o dia 15 de junho próximo.

É nesse contexto que a Usina Nuclear de Angra II entra em operação, no mês que vem. Projetada desde meados dos anos 70, quando o Brasil assinou, com a Alemanha, o Acordo sobre Cooperação para Uso Pacífico da Energia Nuclear, a usina iniciou suas obras de construção civil em 1976, mas, em 1983, elas seriam interrompidas por falta de recursos.

Somente 13 anos depois, as obras seriam retomadas, com enormes prejuízos para o país, que teve de arcar com uma brutal elevação dos custos de construção, que hoje atingem US$ 10 bilhões, valor quatro vezes superior ao da construção de uma usina nuclear nova. Quase duas décadas e meia depois, Angra II está prestes a cumprir o seu destino: gerar 1.309 MW, elevando para cerca de 3% a presença da energia nucleoelétrica no total da capacidade instalada no país.

Além de diminuir o risco de um colapso no fornecimento de energia elétrica, a Usina de Angra II, em operação comercial, permitirá à Eletronuclear saltar de um lucro líquido de R$ 20 milhões, obtido no ano passado, para uma previsão 20 vezes superior.

Ao custo de R$ 46 o megawatt, a projeção é que a empresa, nascida há pouco mais de dois anos da cisão de Furnas, obtenha, neste exercício, um lucro líquido superior a R$ 400 milhões. Nada mal para quem emprega 1,8 mil funcionários e ainda pretende colocar em operação a terceira etapa do projeto nuclear brasileiro, a Usina de Angra III, cujo início das obras será definido pelo governo.

 

 

Perigos da radiação Inauguração de Angra II Crise de energia