Deputados querem detalhes sobre ações para o controle da Amazônia

"Ainda não existe o controle adequado"

PPG-7 já investiu US$ 197 milhões

Comandante militar do Leste não acredita em colonização da Amazônia

Links
relacionados

 

 

 

 

O G-7 e a Comunidade Européia prevêm investimento de US$ 350 milhões até 2004

ANTÔNIA MÁRCIA VALE
Agência JB

BRASÍLIA - Mas a reação do governo não foi suficiente para aplacar os temores. Os financiamentos externos a projetos ambientais na região também são fonte de grandes desconfianças. De 1995 para cá, o Grupo dos Sete (G-7) países mais ricos, junto com a Holanda e a Comunidade Européia, investiram US$ 197,68 milhões na Amazônia brasileira, e até 2004 esse montante deve chegar a US$ 350 milhões.

Os recursos são a fundo perdido e estão sendo aplicados no Programa Piloto de Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG-7) e vêm diretamente dos países envolvidos ou por intermédio do Fundo Fiduciário para Proteção das Florestas Tropicais, administrado pelo Banco Mundial (quadro abaixo).

Muitos políticos locais não acreditam na generosidade ou sentimento de culpa dos países ricos como motivadores dessa disponibilização de dólares. A aparente generosidade é vista como disfarce para a instalação de bases de pesquisa para futuros patenteamentos das riquezas naturais da floresta, uma vez que os projetos têm que ser aprovados por um organismo de controle integrado pelos financiadores.

Mas essa possibilidade é descartada entre os representantes do governo brasileiro responsáveis pelo uso do dinheiro. O secretário- executivo da Comissão de Coordenação do PPG-7, Carlos Aragon, afirma que o risco foi descartado porque os projetos são propostos pelo governo e aprovados primeiro por uma Comissão Interministerial e, só depois, vão para o Conselho Internacional.

A comissão brasileira tem representantes das pastas de Integração Nacional, Relações Exteriores, Ciência e Tecnologia, Meio Ambiente, Fazenda, Planejamento e Justiça. "O que não for de interesse do governo não é colocado em pauta", afirma Aragon. Mas ele garante que "todos os projetos foram desenhados a partir da demanda local". Os estados da região e algumas Organizações Não-Governamentais (ONGs) também têm direito a voto.

Áreas de alcance - O PPG-7 atua em cinco linhas de ação: Experimentação e Demonstração, Conservação, Fortalecimento Institucional, Pesquisa Científica e Disseminação de Lições. Segundo o coordenador do projeto, as experiências práticas são desenvolvidas pelas comunidades locais e governos, que recebem incentivo para fazer o manejo florestal, de recursos de várzeas, e capacitação em prevenção aos incêndios florestais.

O trabalho de conservação ambiental é feito principalmente junto às reservas extrativistas e terras indígenas, com o aperfeiçoamento das técnicas utilizadas por índios e caboclos. As prefeituras e os governos estaduais que apresentam propostas recebem recursos para formular políticas ambientais que integrem homem e natureza e capacitar seus funcionários.

Os centros de pesquisa da região - Museu Emílio Goeldi (Belém/PA) e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) - recebem recursos para incrementar seus trabalhos científicos. Os recursos são distribuídos para projetos específicos e são feitas prestações de contas periódicas.

Riscos - Apesar de todo o controle que o governo procura ter, um aspecto ainda preocupa os dirigentes da área ambiental: a atuação de ONGs estrangeiras e as empresas privadas que se associam a multinacionais, principalmente na área de exploração de madeira. O grande problema é a pirataria dos recursos naturais. O próprio coordenador do PPG-7 lembra o caso da seringueira. A planta foi contrabandeada para a Ásia e a produção em larga escala naquele continente fez com que o Brasil ficasse fora do mercado internacional de borracha natural.

Uma forma de tentar reduzir a atuação de pesquisadores estrangeiros é a proibição imposta a ONGs estrangeiras para o desenvolvimento de pesquisas. Oficialmente, quem quiser conhecer os recursos naturais brasileiros tem que pedir autorização do Ibama, mas a equipe do Ministério do Meio Ambiente sabe que isso não impede a biopirataria nem a retirada criminosa de madeira.

A Secretária de Coordenação da Amazônia, Mary Allegretti, é uma das primeiras a reconhecer o problema e admite que o governo não tem como controlar esse aspecto. "O ponto mais vulnerável é a ilegalidade. As empresas não cumprem a lei e a fiscalização é insuficiente. O risco é a exploração predatória", admite a secretária.

PPG-7 já investiu US$ 197,68 milhões