Comando Militar da Amazônia nega participação em Operação Cobra
27/09/2000
[12h47]



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ANTÔNIA MÁRCIA VALE
Agência JB

BRASÍLIA - Os 180 homens da Polícia Federal escalados para participar da Operação Cobra, na fronteira com a Colômbia, vão reforçar a vigilância já feita pelo Exército que, embora não tenha atribuição legal, já atua no combate ao narcotráfico na região. A operação é emergencial - eles vão atuar como força-tarefa. Mas não resolve o grave problema de falta de controle na divisa do Brasil com seus vizinhos ao Norte.

No caso específico da linha colombiana apenas dois Batalhões de Infantaria de Selva com sete Pelotões Especiais de Fronteira fazem a Segurança. Em tempos normais são cerca de dois mil homens, contingente muito pequeno, levando-se em conta que eles precisam patrulhar aproximadamente 1.650 km de fronteira de selva e o interior do estado do Amazonas. Em toda a Amazônia Legal, que representa 60% do território brasileiro, o Exército mantém um efetivo de 22.442 militares.

A necessidade de aumentar a presença armada do Estado na Amazônia parece só ser lembrada em momentos de crise. Desde o início do ano o Comando do Exército estuda a possibilidade de transferir dois batalhões para a região e não consegue. Para a transferência seriam necessários cerca de R$ 600 milhões, mas os recursos não existem no orçamento. Segundo o ministro da Defesa, Geraldo Quintão, o alto custo de transferência de um batalhão se deve ao fato de que o Exército tem que construir toda a infra-estrutura local. Na prática, a implantação de um batalhão é o embrião de uma nova cidade.

Outro fator que complica a transferência de tropas para o Norte é a enorme pressão política para evitar a mudança. Um dos batalhões seria o de Infantaria Motorizada de Montes Claros (MG), o outro sairia de Crateús, interior do Ceará. Os políticos locais fazem verdadeiras romarias às ante-salas dos gabinetes do Comando do Exército. Alegam que com a saída dos militares as economias de suas cidades entrariam em colapso. O próprio ministro das Comunicações, o mineiro Pimenta da Veiga, esteve com o ministro da Defesa intercedendo pela permanência do batalhão de Montes Claros.

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