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Lembranças
e despedidas
“O
Brasil perdeu hoje um de seus maiores intérpretes.
O legado de Jorge Amado transcende uma obra que por
sua riqueza e densidade é o exemplo vivo do que pode
o espírito humano em suas mais elevadas criações.
Os personagens que criou se tornaram tão ou mais conhecidos
e reais do que seu autor. Que maior glória pode ter
um escritor? A língua de Jorge Amado é um português
que seduz todos os cinco sentidos, cheio de cores,
sons, perfumes, sabores e texturas. A lição que nos
deixa é a de um combatente, de alguém que sempre esteve
a favor da justiça, ao lado dos oprimidos, um criador
que teve a coragem de pintar o Brasil em suas cores
reais para a partir delas propor sua utopia. O Brasil
perde hoje esse homem. Seu legado, entretanto, é a
herança de que nos orgulhamos todos. Jorge, sentiremos
sua falta.”
Fernando Henrique Cardoso, em nota oficial
“Perde
o Brasil o seu maior escritor e a Bahia, aquele que
melhor interpretou a terra e sua gente.”
Antônio Carlos Magalhães, ex- senador e ex-governador
da Bahia
“Ele
era um ponto de referência na história e na literatura.
Jorge Amado conseguiu fazer uma obra extraordinária
e dificilmente alguém no país conseguirá se igualar
a ele, até porque os tempos mudam e as situações se
alteram. Ele teve a oportunidade de trabalhar toda
a sua obra buscando inspiração no povo brasileiro.
É uma obra que retrata a alma do povo e nossas coisas
mais maravilhosa. A obra dele fazia da obra de Deus,
que é da criação. Ele criou um mundo, pessoas, situações,
eternizou emoções e sentimentos”.
José Sarney, senador e escritor.
“Dificilmente
o Brasil vai ver nesta geração um escritor que seja
o melhor da sua época e o ser humano mais generoso.”
Paulo Coelho, escritor
“Jorge Amado foi um grande romancista, um grande brasileiro,
um homem generoso. Um extraordinário criador de personagens
que encarnam o imaginário popular”
Nélida Piñon, escritora
“Além
de ser um grande profissional, ele era meu amigo pessoal.
Costumo dizer que há escritores que eu amo e que eu
admiro. Jorge era amado e admirado.”
Lygia Fagundes Telles, escritora
“Em
1972, quando fiz minha estréia com Um cão uivando
para a lua, saía ao mesmo tempo Tereza Batista cansada
de guerra. Um dia, cheguei em casa e vi um embrulho
de presente com o meu próprio livro. Era Jorge Amado
que havia comprado , mandado embrulhar para presente
e me enviou para eu autografar. Acho que isso ilustra
bem o homem profundamente generoso. Ele pautou a sua
vida assim, com um olhar para o outro. Por isso foi
grande.”
Antônio Torres, escritor
“O
Brasil perdeu com a morte de Jorge Amado aquele que
inventava a sua realidade.” Antonio Olinto, escritor
“Posso falar com uma certa isenção porque não sou
baiano. Considerava Jorge Amado um extraordinário
romancista, mas um escritor limitado. Ele despertou
o interesse do brasileiro pela literatura com sua
rara capacidade de fabulação. Ainda que sua obra seja
muito regional, ela se universalizou.”
Alcione Araújo, escritor
“Ele
tentou mostrar o Brasil com uma coloração lírica.
Escolheu um caminho e recebeu muitas críticas por
causa disso. Mas poderia ter escolhido qualquer outro
caminho, pois tinha um grande talento. Nunca entrou
nas faculdades de Letras: pior para elas. Nunca saiu
do coração do povo: melhor para todos nós. Deixa um
clássico: Terras do sem fim.”
Vilma Arêas, escritora e crítica literária
“Eu
perdi uma espécie de pai. Acho que Jorge Amado criou
o paradigma do que é a Bahia e o baiano do século
20. A realidade parece que se espraiou das páginas
dele, de tão realisticamente a retratou. Uma das coisas
que me confidenciou é que a velhice não traz sabedoria.
Quando foi ficando mais velho, vendo sumindo sua potência
e vista, dizia que era como se perdesse a única vida
que importava, a sensorial.”
Waly Salomão, poeta
“Jorge
Amado foi um grande escritor graças à sua grande sensibilidade
para pensar o Brasil. Sua trajetória de esquerda também
não deve ser esquecida, pois quem o conheceu no auge
da carreira e da popularidade comercial não sabe de
sua importância política.”
Otávio Velho, antropólogo
“Nunca
entrou nas Faculdades de Letras: pior para elas. Nunca
saiu do coração do povo: melhor para todos nós. Deixa
um clássico: Terras do sem fim."
Joel Rufino, historiador
“Mais
do que ser lido e amado dentro e fora do Brasil, tinha
um trânsito muito grande. Falava de igual para igual
com grande nomes da Europa e Estados Unidos. Todo
mundo tinha respeito por ele, não apenas o leitor
anônimo. Era admirado pelos grandes.”
Regina Zilberman, professora de literatura
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