No dia em que o país se depara com mais um aniversário da Abolição da Escravatura, a série especial do caderno Idéias, Brasil 500 anos: de Cabral a Cardoso, abre espaço para uma discussão aprofundada sobre o difícil processo de inserção dos africanos e seus descendentes na sociedade brasileira. O historiador Manolo Florentino investiga os mecanismos coloniais que garantiram a longevidade do cativeiro.
Sheila de Castro Faria desfaz o senso comum que atribui aos escravos os estigmas de "desregrados" e "imorais", mostrando a vida em família dos diferentes grupos africanos que para cá foram trazidos. O sentido da comemoração do Treze de Maio é avaliado por Hebe Maria Mattos de Castro e a visão da Abolição como concessão das elites é contestada por Maria Helena Pereira Toledo Machado.
Ivanir dos Santos discute as desigualdades entre negros e brancos que vigoram ainda hoje e Antônio Sérgio Guimarães revê o que chama de "estereótipos arrasadores", atribuídos aos escravos e seus descendentes.
Índice dos cadernos
Guerra e paz entre os escravos
Devia-lhes ser vital construir laços de solidariedade e de auxílio mútuo que os ajudassem a sobreviver no cativeiro.
Por Manolo Florentino
A vida cotidiana na senzala
Novos estudos acabam de vez com o mito
de que a "sexualidade promíscua" dos escravos
teria sido herdada pelos brasileiros
Por Sheila de Castro Faria
O que comemorar no 13 de Maio
Abolição da escravatura foi precedida por
uma fuga em massa, o maior movimento de desobediência civil da história brasileira.
Por Hebe Maria Mattos de Castro
Movimento político das massas
O abolicionismo não foi um projeto das elites,
mas resultado da primeira união dos excluídos brasileiros em torno de um ideal.
Por Maria Helena Pereira Toledo Machado
Desigualdades ainda imperam
A sociedade brasileira precisa superar o atraso causado pela "invisibilidade social" imposta aos negros.
Por Ivanir dos Santos
Negros, estrangeiros no Brasil
Integração material e simbólica à nação só começa a ser construída a partir da República, frente a uma elite que se pretendia branca.
Por Antonio Sérgio Alfredo Guimarães