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Por que não 'Brokeback'?

A Academia abriu a porta sempre fechada aos filmes com tema gay ao dar seu maior número de indicações deste ano a O segredo de Brokeback Mountain, mas fechou essa porta muito rapidamente. Brokeback Mountain, o grande favorito ao prêmio de melhor filme, perdeu para Crash - No limite. Essa derrota sugere que os votantes da Academia se sentiram mais confortáveis com o conto que explora os conflitos raciais na Los Angeles atual do que com uma tocante história de amor entre dois homens.

- A verdade talvez seja que os americanos não querem que os caubóis sejam gays - disse o roteirista Larry McMurtry, que dividiu o Oscar de melhor roteiro adaptado de Brokeback Mountain com Diana Ossana.

Até anteontem nenhuma história de amor gay havia ganhado um Oscar de melhor filme e na manhã de ontem as coisas continuavam iguais. Apesar do clima de festejo de Crash, depois da cerimônia a grande pergunta que ia de roda em roda, era por que Hollywood, que este ano dedicou um Oscar a um filme mais politizado que o habitual, não quebrou mais este tabu?

- Os cinéfilos e os mais politizados vão ficar nos próximos dias se perguntando o quanto a ida do Oscar de melhor filme para Crash se deveu realmente aos méritos do filme ou foi uma desculpa para a Academia não ter que dar o prêmio a Brokeback Mountain - afirmou o crítico Tom Shales, do Washington Post.

Ang Lee se disse confuso quando sua vitória como melhor diretor foi seguida da derrota na categoria de melhor filme:

- Não sei o que pensar. Estava seguindo o ritmo habitual nessas situações com minha estatueta, de melhor diretor, mais a de melhor roteiro adaptado e... quando chegou o melhor filme... Não sei o que pensar. Todas as minhas felicitações a Crash.

Para ele, O segredo de Broeback Mountain é um filme que fala com o coração e que espera respostas do público.

- Eu estou muito orgulhoso do meu filme e voltaria a fazê-lo de novo. A audiência está faminta por maturidade - acrescentou, lembrando que, de todos as produções candidatas, O segredo de Brokeback Mountain é o de maior bilheteira.

O crítico Kenneth Turan, do jornal Los Angeles Times, vê a derrota de Brokeback como um sinal de que Hollywood ainda não está pronta para dar ao tema homossexual a respeitabilidade de um amor mainstream.

- Apesar de toda a cobertura que conseguiu, de todo o dinheiro que fez em cinemas de cidades conservadoras, de todas as piadas que os talk shows e programas humorísticos fizeram com ele, ou talvez por causa delas, você não pode falar desse fenômeno na indústria sem ter em mente que Brokeback Mountain fez um grande número de pessoas se sentir desconfortável - disse.

Para o crítico, o filme de Paul Haggis veio a calhar:

- Para as pessoas que se viram tocadas por Brokeback Mountain, mas queriam na verdade conseguir se ver nas telas e se sentir como bons liberais produtivos, Crash representava um voto seguro.

Agências Reuters e EFE

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