Indicação de 'Paradise Now' ao Oscar gera protestos em Israel

SALÉM A indicação de 'Paradise Now' ao Oscar, filme que retrata a história de dois amigos palestinos que são convocados para serem homens-bomba em um atentado, tem provocado protestos em Israel.

'Paradise Now', que compete com outros quatro filmes ao Oscar de melhor filme estrangeiro, é apresentado no site oficial da Academia de Hollywood como a candidatura da Palestina, um país cuja independência foi proclamada pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP) em 1988, na Argélia, mas que ainda não foi reconhecido pela maior parte da comunidade internacional.

O rótulo provocou o protesto de judeus em Israel e nos Estados Unidos que são contra, também, a indicação de um filme que humaniza os homens-bomba palestinos.

Os protagonistas são dois palestinos, Said e Khaled, que são recrutados por uma facção armada palestina para um atentado suicida em Tel Aviv, e a história se passa nas 27 horas restantes de suas vidas, nas quais se preparam para o ataque e se despedem de sua família e amigos.

Trata-se de uma obra cinematográfica filmada na cidade cisjordaniana de Nablus, com um diretor, Hani Abu Assad, e atores de origem árabe-israelense, uma equipe palestina, produzida por um judeu israelense com financiamento privado europeu.

'Paradise Now' já ganhou vários prêmios, entre eles, o Globo de Ouro como melhor filme estrangeiro, o Anjo Azul do Festival de Cinema de Berlim, e outro da Anistia Internacional.

O Projeto de Israel, organização independente que busca defender a imagem do país no mundo, já reuniu as assinaturas de 32 mil pessoas que exigem a exclusão de 'Paradise Now' da lista de indicados ao Oscar.

Segundo o grupo, a nomeação do filme representa a glorificação dos suicidas palestinos que mataram centenas de israelenses durante os últimos cinco anos e meio de conflitos.

As principais redes de cinemas israelenses se negaram a exibir o filme, com o argumento de que um filme que apresenta um olhar compreensivo sobre os suicidas palestinos não renderia bilheteria.

Entre os palestinos, o filme foi bem recebido, embora também tenha sido criticado por insinuar que um dos palestinos decide se transformar em suicida por pressões sociais.

Enquanto que o 'Palestina' permanece no site, um porta-voz da Academia já especificou que essa noite o filme será apresentado como uma nomeação da 'Autoridade Palestina', como de fato fizeram ao anunciar as indicações.

Apesar dos protestos na ocasião, não é a primeira vez que o termo 'Palestina' é usado num contexto oficial.

A Palestina estava nos Jogos Olímpicos de Atenas em 2004 e em setembro de 2005, o primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, falou do conflito entre Israel e Palestina em um discurso no Conselho de Segurança da ONU.

No entanto, os palestinos nunca tiveram um Estado independente, e quando falam da Palestina se referem ao território controlado pelo Reino Unido durante trinta anos a partir do fim da I Guerra Mundial em 1918.

Os israelenses também decidiram protagonizar uma campanha de protestos contra outro filme indicado ao Oscar, 'Munique', de Steven Spielberg, que retrata a busca e o assassinato pelos serviços secretos israelenses dos palestinos que seqüestraram a equipe israelense nos Jogos Olímpicos de Munique em 1972, que acabou na morte de onze atletas.

Agência EFE

[ 05/03/2006 ]