Os componentes da Unidos da Tijuca que acompanhavam a apuração no Sambódromo passaram da euforia ao desespero em poucos minutos, depois do 9.5 dado pelo jurado Benvindo Siqueira em Harmonia, a primeira de três notas baixas para a escola. Permanecia alguma esperança, até que veio o derradeiro 9.3 em Fantasias, da jurada Regina Oliva. A agremiação arrancou gritos de é campeã na passarela, com o enredo sobre Mozart e a história da música, mas ficou com o amargo sexto lugar. A Mangueira, uma das favoritas, conquistou apenas a quarta colocação. O presidente da escola, Álvaro Caetano, também não conseguiu esconder a indignação com as notas baixas. Com a língua sempre afiada, o intérprete do Samba Jamelão disse que a Vila Isabel não exibiu um desfile digno de campeã.
- Alguém levou dinheiro aí. Moro na Vila há 70 anos e não vi nenhum carnaval na escola para levar o título, mas agora não adianta chorar. O leite já derramou.
Na Rua Visconde de Niterói, onde fica a quadra da verde-e-rosa, todos os bares estavam lotados com torcedores acompanhando a apuração pela televisão. A comemoração com as notas 10 era grande, e equivalente aos gritos dados a cada ponto perdido pela arqui-rival Beija-Flor. A alegria arrefeceu depois da nota 9.5 do publicitário Lula Vieira para o quesito Conjunto. A partir daí, a comemoração diminuiu até ser finalmente revelada a quarta colocação.
O badalado carnavalesco da Tijuca, Paulo Barros, preferiu acompanhar a apuração sozinho em um hotel. O diretor de carnaval da Unidos da Tijuca e amigo de Barros, Luiz Carlos Bruno, explicou que ele escolheu a clausura para fugir do assédio da imprensa, diante da especulação de que poderia ir para o Salgueiro no próximo ano.
- Ele está muito calmo. Eu também - disse Bruno, antes da apuração. Depois do 9.5 em Harmonia e Evolução e do 9.3 em Fantasias, Bruno afirmou que sentia ''tristeza por saber que não se pode fazer um trabalho limpo''.
O presidente da Unidos da Tijuca, Fernando Horta, garantiu que Paulo Barros permanece no cargo. E voltou a artilharia contra os jurados.
- Vamos continuar inovando. A Tijuca trabalha pensando no carnaval. Já disse antes que os jurados penalizam as escolas mais novas. Ano passado, pedi para a Liga vetar esse Benvindo Siqueira - afirmou. Ano passado, o jurado deu nota 9.6 para a Tijuca, tirando o campeonato da escola.
O casal de mestre-sala e porta-bandeira nota 10 da Tijuca, Lucinha Nobre e Ubirajara Claudino, chorou de emoção e em seguida com a perda do título. Supersticiosa, Lucinha largou a bandeira quando a escola começou a ficar para trás da Vila e da Grande Rio.
Na quadra, os componentes da Tijuca também caíram no choro. Muitos nem sequer ficaram até o fim da apuração. Marli Luís, a Marli Babá, integrante da bateria, chegou a fazer promessa para São Sebastião para escola ganhar.
- Fizemos um carnaval maravilhoso, mas vou ter que esperar mais um ano - afirmou a ritmista.