FESTA DOS TIOS DO ROCK
Grupos veteranos como Ira! e Capital Inicial brilharam no Vibezone

Nelson Gobbi e Ana Carolina Alves

Eles atravessaram os portões da Cidade do Rock em barulhentos grupos ou, de forma mais discreta, acompanhados dos pais. Os rostos quase sempre traziam a mesma expressão, um misto de euforia e avidez por percorrer todas as atrações da noite. Os adolescentes, esmagadora maioria entre as 30 mil pessoas presentes ao Coca-Cola Vibezone, sexta-feira e sábado, em Jacarepaguá, queriam ver seus ídolos, principalmente o grupo paulistano CPM 22 e a cantora baiana Pitty, que haviam tocado no mesmo palco ano passado. Mas a urgência própria da idade não os impediu de curtir as bandas que começaram sua carreira quando a maior parte deles nem havia nascido. Assim, os veteranos Ira! e Capital Inicial fizeram alguns dos melhores shows da terceira edição do evento.

O Ira! apresentou na sexta-feira o show do disco Acústico MTV (2004), em turnê até o fim do ano. A apresentação começou com recepção morna. Grande parte do público aguardava o último show da noite, o do CPM 22, circulando por entre os palcos e atrações do evento. Mas bastou o vocalista Nasi interpretar sucessos como Núcleo base, Dias de luta e Envelheço na cidade, compostos há quase duas décadas, para que a frente do palco fosse tomada de jovens cantando.

"Conheci as músicas do Ira! no rádio, principalmente as do Acústico. Vim para ver o CPM, mas estou gostando muito", disse Renata Corrêa, 14 anos, com as amigas Mariana Barreiros e Giovana Graça, da mesma idade.

Nasi não credita a renovação do público do grupo apenas ao CD: afirma que os shows do Ira! sempre foram freqüentados por jovens.

"Nosso público é a garotada. Mas claro que no caso de um projeto específico de uma emissora voltada para jovens, como este da MTV, a proporção aumenta", completa.

No sábado a cena se repetiu: grande parte do público que foi assistir a Pitty ficou para ver o Capital Inicial fazer o último show da noite. O grupo de Dinho Ouro Preto cantou antigos hits como Natasha e Veraneio vascaína e faixas do último CD, Gigante (2004), para jovens como Marcella Monteiro, 19 anos, que assistia ao show acompanhada da irmã Paula, 13 anos, e da amiga Camille de Oliveira, 21.

– A gente veio mais para ver a Pitty, mas gostei muito do Capital também. Eu já conhecia as músicas deles, até antes de lançarem o CD acústico – diz Marcella.

O Capital Inicial também tinha muitos fãs entre o público adolescente. Bárbara Thomaz, 12 anos, permaneceu ao lado da mãe, Joana Darke Rozendo, de 40 anos, enquanto a irmã Jaqueline, 19, preferiu ir para o meio da multidão, que cantava sucessos de Pitty como Admirável chip novo, Teto de vidro e Máscara.

"Conheci o Capital por causa do CD acústico e adoro. Detesto a Pitty. Minha irmã é que veio ver o show dela; eu vim só por causa do Capital", contou Bárbara.

Para atender a todos os gostos da família e do público em geral, ao fim do show do Capital Inicial Dinho Ouro Preto trouxe Pitty de volta ao palco, acompanhada de Bianca Jhordão, vocalista da banda Leela, que fez a segunda apresentação da noite. O trio interpretou Independência, antigo hit do Capital, e clássicos dos Stooges (I wanna be your dog) e dos Ramones, (I wanna be sedated), mostrando que o velho rock ‘n’ roll só continua bom porque se renova sem esquecer as origens.


*Especial para o JB Online