| 'Diretas Já' | |
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O movimento das 'Diretas Já' por eleições diretas para presidente foi, antes de mais nada, um clamor pelo fim da ditadura militar, que já durava 20 anos. Em 1984, os comícios tomaram conta de todas as grandes capitais do país e a mobilização pelo direito de votar ganhou adesão não só de políticos de oposição e estudantes, como também de artistas e jogadores de futebol. Apesar de a votação de 85 ocorrer indiretamente, por meio do Colégio Eleitoral, a campanha das 'Diretas Já' foi essencial para a retomada da democracia. Em 1982, os governadores foram, pela primeira vez depois de anos, escolhidos pelo povo. Líderes da oposição, como Tancredo Neves em Minas Gerais e Leonel Brizola no Rio, saíram vitoriosos na maioria das capitais do país. Esses nomes, entres outros, iriam compor o grupo que estava à frente do movimento. O primeiro comício das 'Diretas Já' aconteceu em Curitiba, em dezembro de 1983. Em abril de 1984, foi a vez de São Paulo, onde 1,3 milhão de pessoas foram às ruas. Na Candelária, no Centro do Rio, foram cerca de 800 mil. Daí em diante, o movimento tomou conta de todas as capitais brasileiras. O locutor esportivo Osmar Santos era quem sempre conduzia o comício nos palanques e, por isso, ficou conhecido como a "voz das diretas". Também participaram Fafá de Belém, Gilberto Gil, as atrizes Fernanda Montenegro, Regina Duarte e Cristiane Torloni e o jogador de futebol da Seleção Brasileira Sócrates. Ainda assim, quando levada à votação no Congresso, a Emenda Dante de Oliveira, que regulamentava o voto direto para a presidência da República, não conseguiu aprovação e foi arquivada. A única maneira de levar o país à abertura política seria por eleições no Colégio Eleitoral. Para disputar com o candidato da situação, Paulo Maluf (PDS), Tancredo era o mais indicado porque somava aliados dissidentes do partido do governo. O antigo movimento 'Muda Brasil. Diretas Já' ganhou outro nome: 'Muda Brasil. Tancredo Já'. O mineiro venceu o adversário com 480 votos contra 180.
Já em meados da década de 70, a ditadura militar apresentava sinais de desgaste. Com os altos índices de inflação, além da repressão e da forte censura, a mesma classe média que apoiou o golpe militar em 1964 começava a cobrar mudanças. O crescimento do movimento operário - que tinha o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um dos principais líderes - e escândalos como a morte do jornalista Vladimir Herzog na prisão também evidenciavam o declínio do regime ditatorial. O ponto alto
da crise ocorreu em 1978, quando o Movimento Democrático Brasileiro
(MDB), partido de oposição ao governo, obteve vitória
com grande vantagem nas eleição para compor o Congresso
Nacional. No mesmo ano, acaba o Ato Institucional 5 (AI5) - que restringia
completamente as liberdades individuais Em 1979, durante o governo do general João Batista Figueiredo, estudantes, políticos e jornalistas pediam anistia aos presos e exilados. O movimento culminou com a aprovação da Lei da Anistia. Personalidades como Leonel Brizola, Fernando Gabeira e Luiz Carlos Prestes voltaram ao Brasil. |
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