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- PORTO ALEGRE Os países pobres já pagaram com juros suas dívidas públicas externas e se tornaram credores do mundo desenvolvido. Esta é a idéia que inspira a Assembléia dos Povos Credores da Dívida Social, Ecológica e Histórica, que será lançada neste sábado (dia 29) no Fórum Social Mundial 2005. A palestra de abertura estará a cargo do Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Perez Esquivel.
Conforme as organizações, redes e movimentos sociais que estão promovendo a Assembléia, a transferência de recursos para os países desenvolvidos gerou uma imensa dívida social no Terceiro Mundo. Além disso, fez com que não fossem realizados os investimentos necessários para a preservação dos recursos naturais.
Entre as propostas que serão debatidas, está a criação de um Observatório Internacional da Dívida Externa, de acordo com a sugestão do Comitê pela Anulação da Dívida Externa do Terceiro Mundo (CADTM).
Outra idéia que estará em debate é a realização de uma auditoria da dívida dos países pobres, conforme propõe a rede Jubileu Sul. As propostas serão colocadas em votação para que sejam encaminhadas e viabilizadas durante o ano de 2005.
Além de Esquivel, participará da Assembléia o coordenador da Coalizão Anti Dívida da Indonésia, Ardi Kusflurdi, que relatará a tragédia ocorrida nos países do sudeste da Ásia, atingidos pela tsunami, em dezembro. Além de revelar as medidas adotadas por sua entidade para socorrer as vítimas da catástrofe, Kusflurdi dará um depoimento pessoal acerca dos efeitos do maremoto. As organizações reunidas na Assembléia defendem a anulação pura e simples da dívida dos onze países afetados pela tsunami.