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Campeão de videogame

Rushdie surpreendeu o público da Flip com sua simpatia e informalidade. Além de declarar o desejo de que seus livros fossem lidos em lugares descontraídos como a banheira ou uma praia, confessou ter sido campeão do videogame SuperMario Bros. durante seu período de perseguição e isolamento.

Muito barulho por nada

Durante semanas, admiradores das letras de todas as partes do país lutaram por ingressos na Tenda dos Autores. Ficariam desolados de saber que os lugares indisponíveis estavam sobrando em diversas palestras.

Crescendo e aparecendo

Um dos eventos ligados à Flip que mais vem crescendo é a Flipinha, dedicada ao público infanto-juvenil.
Este ano, além de receberem personalidades da Flip adulta como Marina Colasanti, Luís Fernando Veríssimo e MV Bill crianças e adolescentes apresentam trabalhos ligados à arte, folclore e teatro.

... sin perder la ternura jamás

A mesa dos autores de livros policiais garantiu um momento inusitado. Seguindo o molde dos protagonistas da literatura policial recente, que apresenta detetives que vivem emoções mais próximas dos seres humanos comuns, José Latour chorou ao falar de Cuba, sua terra natal. Emocionado, o autor pediu desculpas ao público e não chegou a responder à pergunta feita pelo mediador.
Mais tarde, já refeito, explicou ao público que era doloroso falar de uma terra para a qual não se pode voltar.

Violência, emoção e polêmica

Se o humor foi a tônica das mesas do dia anterior, o terceiro dia de debates da Flip começou emocionando e causando polêmica.
A mesa Ritmo, poesia, política, mediada pelo escritor e jornalista Miguel de Souza Tavares trouxe MV Bill, rapper de Cidade de Deus e co-autor de um livro com o antropólogo Luiz Eduardo Soares, ex-secretário de segurança do Rio de Janeiro.
Ao narrar sua trajetória, permeada por relatos de violência sofrida na própria carne ou recolhidos em suas pesquisas, Bill chegou às lágrimas, emocionando a platéia.
Luiz Eduardo Soares arrancou aplausos diversas vezes da platéia, a quem também fez calar profundamente em diversos momentos, como quando colocou a questão da falta de saídas diante da violência.
Jabor, apresentado por Souza Tavares como uma bomba atômica, pela força dos seus comentários, minimizou a comparação, dizendo-se apenas uma bombinha de São João, diante da experiência de seus colegas de mesa. No entanto, no decorrer de sua fala, ao traçar uma ligação entre a busca por soluções concretas e crítica prática, representada, a seu ver pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, e o idealismo vivido pela esquerda, que teria chegado ao poder sem consultar a realidade, Jabor suscitou uma explosão de vaias e aplausos.

A leveza diante do absurdo

Humor foi o que não faltou na última mesa do dia, que reuniu a pesquisadora Isabel Lustosa e Jô Soares, sob a mediação de Luís Fernando Veríssimo.
O público, o maior da Flip até aquele momento, teve várias oportunidades para rir e aplaudir o encontro, sem deixar de lado, no entanto, reflexões sobre a atual situação política brasileira.
Com o humor a traçar uma ponte entre o passado e o presente do Brasil, Lustosa e Jô Soares apontaram o humor peculiar do brasileiro como a sua arma para levar a vida com leveza diante dos absurdos de nossa realidade.

Um lugar, muitas idéias

Política e história deram o tom do segundo dia de palestras da Flip. Pela manhã, a argentina Beatriz Sarlo e o brasileiro Roberto Schwarz bateram bola através de dois dos maiores craques da literatura de seus respectivos países, Jorge Luís Borges e Machado de Assis, na mesa “Um lugar para as idéias.”
Com segurança, elegância e paixão, Sarlo envolveu a platéia discorrendo sobre assuntos como a ditadura militar na América Latina e a poesia portenha contemporânea.
Schwarz acompanhou sua parceira de mesa com igual elegância e humor, ao falar de assuntos como o futuro do engajamento político ou respondendo a uma pergunta sobre o movimento antropofágico brasileiro, feita por Arnaldo Jabor, que assistia ao debate.

Discussão moribunda

Uma declaração do escritor português José Luís Peixoto quase encerra a mesa A força do romance antes do tempo.
Ao ser indagado sobre uma suposta agonia do gênero, Peixoto saiu em sua defesa, dizendo: “O que está moribundo não é o romance, mas, sim, essa discussão.”
O público adorou.

Mar de Histórias

Bonecos gigantes, representando personagens de clássicos da literatura universal, têm encantado visitantes de todas as idades.
Partindo da Praça da Matriz, é possível mergulhar em histórias como Dom Quixote, Robinson Crusoé e A Ilha do Tesouro. Representando a literatura brasileira há uma cena de Vidas Secas, de Graciliano Ramos, onde adultos e crianças esperam a vez para posar ao lado da cadela Baleia.
De uma sacada da Matriz pendem as tranças de Rapunzel, enquanto, de sua tenda, a cigana Esmeralda só tem olhos para Quasímodo, preso à torre da igreja.
O Velho e o Mar é a história que toma conta do Rio Perequê. Gulliver e os lilliputianos recebem os leitores na margem, à entrada da Tenda dos Autores.

Mar de Histórias II

A chuva que insiste em cair sobre Paraty durante uma Flip já está quase virando parte do evento. Na quinta-feira, foram colocados à venda guarda-chuvas da Flip. E, como se não bastassem as pedras escorregadias e a lama, a maré também subiu, alagando diversas ruas e complicando um pouco mais a vida dos amantes da literatura.

Figurinha fácil

Se alguém pensou que, devido a um passado de perseguições e juras de morte, seria difícil ver Salman Rushdie, está na hora de rever seus conceitos.
O escritor anglo-indiano pode ser visto, sempre muito à vontade, em livrarias, cyber-cafés, assistindo às mesas de outros autores ou simplesmente circulando pelas ruas da cidade, sempre atendendo, de maneira afável, aos pedidos de autógrafo.

Terra prometida

Apresentados por Liz Calder, que dirigiu a mesa As fontes de inspiração, como dois de seus autores favoritos, David Grossman e Michael Ondaatje encerraram o primeiro dia de mesas de autores da Flip.
Um dos pontos que mais tocaram o público foi quando Ondaatje, nascido no Sri Lanka, de onde saiu aos onze anos para morar em diversos países, disse invejar Grossman, que sempre viveu em Jerusalém, tendo, portanto, uma grande chance de escrever um relato mais fiel de sua terra.
Grossman respondeu que Israel ainda não era um fato consumado, sendo, portanto, um lugar que não permitia previsões para o futuro. Ele completou dizendo que Israel era uma terra prometida, mas não realizada.

Direito à ingenuidade

Indagado sobre o motivo de escrever para jovens, Grossman respondeu que há uma necessidade dos jovens recuperarem o direito de serem ingênuos e idealistas, de acreditarem poder mudar o mundo. Segundo ele, os jovens de hoje são levados a serem cínicos antes de ingênuos.

Rushdie já está em Paraty

O assédio à maior atração da Flip começou mais cedo.
Na quarta-feira à tarde, ao visitar a Livraria da Vila na companhia de
Liz Calder, a idealizadora do evento, Salman Rushdie foi abordado por
diversos visitantes. Depois de atender a alguns pedidos de autógrafo,
o escritor deixou o local.

Amor antigo

Liz Calder reafirmou, na abertura da Flip, seu amor por Paraty,
iniciado nos anos 60, quando a editora morou em São Paulo.
A idealizadora do evento arrancou aplausos da platéia ao declarar que
a Festa Literária não deixaria a cidade de Paraty por um lugar maior.

Lembrando Clarice

Sob direção de Naum Alves de Souza, diversos atores, entre eles Regina
Braga e Aloísio de Abreu, abriram a terceira edição da Flip lendo
textos de Clarice Lispector.
Em um telão foram apresentados depoimentos de amigos da escritora,
como Lygia Fagundes Telles, Chico Buarque e Ferreira Gullar.
Encerrando a apresentação, a atriz Marcélia Cartaxo tornou a encarnar
Macabéa, protagonista de A Hora da Estrela, papel que já foi seu no
cinema.

Música e Literatura

Apontado por Zuenir Ventura como um leitor voraz, Paulinho da Viola
encerrou a noite de abertura da Flip aplaudido de pé.
Além de apresentar sucessos antigos que fizeram o público cantar, o
músico procurou traçar um paralelo com o evento, pinçando do seu
repertório músicas feitas em parceria com poetas, como Ferreira
Gullar.


10/07/2005



07/07/2005


06/07/2005


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