Marco Antônio Martins
Quando o Salgueiro começou o seu desfile, na noite de domingo, chamou a atenção do público das arquibancadas e camarotes, a presença de um jovem de 16 anos, ao lado da madrinha de bateria, a atriz Carol Castro. A cara de menino não conseguiu esconder os traços de semelhança com um personagem que se destacou durante anos no carnaval carioca. Waldomiro Paes Garcia Júnior, conhecido como Mirinho se tornou o sucessor do pai - Maninho, assassinado em setembro do ano passado-, à frente da escola da Tijuca.
Mirinho é o primeiro exemplo de renovação entre os contraventores, principais organizadores da festa. Exatamente, num momento, em que as escolas se utilizam cada vez mais de patrocínio para realizar seus desfiles.
O jovem se emocionou ao ver o telão de alta definição que trazia imagens do pai e do avô, Waldemir Paes Garcia, o Miro também falecido no ano passado. Além disso, na camisa dos integrantes da diretoria do Salgueiro viam-se fotos da dupla e as iniciais MM. Até no corpo da modelo Michele Rocha havia uma tatuagem com as letras. Os jogadores de futebol Romário, Edmundo e o cantor Jorge Benjor lamentaram a ausência de Miro e Maninho no Salgueiro.
- Eles fizeram muito pela escola e merecem todas as homenagens - comentou Benjor, pouco antes do desfile.
Mirinho chegou à avenida acompanhado por dois seguranças. A prática tem sido comum desde o assassinato do pai. Depois de se recuperar do trauma pelo assassinato de Maninho, o adolescente passou a coordenar os ensaios técnicos. No desfile se manteve tímido.
- É uma honra substituí-lo - afirmou antes de ser suspenso pelos seguranças no fim do desfile do Salgueiro.
O trabalho do jovem começa na verdade no carnaval de 2006. Na escola, diretores contam que apesar de ser vítima de uma fatalidade, Maninho já havia deixado uma série de decisões tomadas para para o desfile de domingo. Bastou ao jovem seguir a coordenadas do pai. Diferentemente do avô, Miro, Mirinho está bem longe de ocupar a cúpula da contravenção.
A reverência aos contraventores não se limitou à escola da Tijuca. As homenagens foram feitas por outras agremiações como a Caprichosos de Pilares e a Grande Rio, que agradeceram o auxílio recebido do capitão Aílton Guimarães, presidente da Liga Independente das Escolas de Samba, e do presidente de honra da Beija-Flor, Aniz Abrahão David, o Anísio.
Aliás, um fato mostra bem a relação entre eles na avenida. Minutos antes do desfile da Viradouro, na noite de segunda-feira, José Carlos Monassa, patrono da escola de Niterói, entrou debilitado, caminhando com dificuldade, seguido por um homem que trazia uma cadeira para que ele se sentasse quando estivesse cansado. Antes de chegar ao recuo da bateria, ele foi recebido por Anísio e pelo Capitão Guimarães cercado por policiais e até por políticos. A imagem é uma das mostras sobre a relação entre os poderes durante o carnaval carioca.