Florença Mazza
A Beija-Flor encontrou uma Sapucaí ainda tensa depois dos acidentes ocorridos com a Portela. A azul e branco tentou reverter o baixo-astral com um longo esquenta no Setor 1. E conseguiu. De olho no tricampeonato, a escola de Nilópolis entrou já às sete da manhã de terça-feira com a Passarela do Samba ainda cheia.
O veterano Laíla, que comanda a comissão formada por outros quatro carnavalescos, parecia prever o atraso: abusando de cores fortes, preparou-se para um desfile sob a luz do sol. E impressionou com as alegorias que retratavam as missões jesuítas no Rio Grande do Sul. Do nascimento de Jesus, os carros passaram pela Santa Inquisição, pelo cotidiano dos guaranis e sua batalha contra os colonizadores, além da influência dos imigrantes. E a Beija-Flor polemizou ao levar um Cristo coberto de sangue para a avenida. A teatralização foi motivo de negociações com a Arquidiocese, como contou o ator Cleber Carvalho.
Chamaram a atenção a fantasia de Selmynha Sorrisoz, ovelhas e micos de pelúcia e a comissão de frente. Diretores apressaram os 4.500 componentes pelo Sambódromo. Mas a escola chegou à Apoteose em 1h10 com um desfile impecável.
- Que venha o tri como presente - declarou Neguinho, que completa 30 anos de avenida.