Inocência encanta o público
João Marcello Erthal

Com um dos sambas mais cantados deste ano, a Imperatriz deixou a avenida com uma certeza: o enredo Uma delirante confusão fabulística ajudou a enterrar o estigma de que a escola faz desfiles perfeitos mas frios. Da comissão de frente ao último carro, todo mundo cantava - e arquibancadas e camarotes seguiam, encantados pelo capricho das fantasias e alegorias criadas pela carnavalesca Rosa Magalhães.

Os personagens e histórias de Hans Christian Andersen e Monteiro Lobato ganharam vida, forma e cores pelas mãos de Rosa, que deitou e rolou com os temas inocentes de histórias como a Pequena sereia, O patinho feio e a turma do Sítio do pica-pau amarelo.

Fazendo jus às histórias infantis, toda a escola veio vestida. E bem vestida. O abra-alas trouxe sereias em uma bela coreografia, num aviso do que estaria por vir. Os passos marcados se repetiram ao longo de quase toda a escola - principalmente nas alegorias. Mas ninguém reclamou. Pelo contrário. Movimentos ensaiados, como o dos integrantes do sexto carro, que se mexiam como bonecos de corda, arrancaram aplausos do público. Ah, e os coreografados também cantavam - coisa cada vez mais rara mesmo no Grupo Especial.

Apesar da homenagem aos dois gênios da literatura infantil, a parte do enredo dedicada ao dinamarquês era bem maior - principalmente nas alegorias e fantasias. Estas, aliás, abusaram do luxo e do tamanho. Na chegada do último carro - Homenagem aos personagens do Sítio do Pica-pau Amarelo - à Praça da Apoteose, a fantasia do destaque no ponto mais alto quase ficou agarrada ao arco que marca o fim do desfile. Passado o sufoco, diretoria, componentes e foliões soltaram o grito de ''é campeã'' mais uma vez - como se ouvira no domingo só para a Tijuca e, na manhã de ontem, para a Beija-Flor.

[ - 09/02/2005 ]
 
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