Lula Branco Martins
Você já se fantasiou de índio? Certamente. Foi na infância, não foi? Já saiu de colombina numa escola de samba? Talvez. Mas estes tempos vão ficando para trás. As agremiações vêm investindo, ultimamente, num tipo de fantasia incomum. Nos dois dias de desfiles no Sambódromo, revezaram-se alas que desde o nome já passam uma certa estranheza. A Mangueira, que falava de energia, tinha uma ala chamada Buraco na camada de ozônio. Que tal sair no carnaval fantasiado de buraco na camada de ozônio? Aliás, por falar em buraco, na Viradouro havia gente vestida de cárie - eram umas pessoas com a cabeça dentro de uma boca feia. Um nojo. Na mesma escola, cujo enredo era a história do sorriso, 100 componentes saíram de Super Flúor. Ele é o herói da guerra diária contra as bactérias.
Por causa de seu enredo politicamente correto (uma ode aos projetos da Organização das Nações Unidas), a Portela tinha lá suas razões para bolar fantasias estranhas. Na ala Por uma melhor distribuição do trabalho doméstico, a proposta foi mostrar que os homens devem dividir as tarefas de casa com suas mulheres. A Mangueira, que havia desfilado na noite de domingo, também fez das suas. O enredo era sobre energia e por isso teve gente saindo de biodiesel. E, pior: algumas alas depois, vinha um pessoal fantasiado de fio-terra. Às vezes, não são o tema nem a forma da fantasia o mais esquisito. É o nome. No setor egípcio do Salgueiro, que, como a Mangueira, desfilou domingo, havia fantasias de Amenófis, outras de Akenaton e alas com Kakutacats e Deucaliões. Devia ser algo sobre o fogo. Tomara que o pessoal da arquibancada tenha entendido.