Estrelas no raiar do dia

Marco Antônio Barbosa

O desfile da Acadêmicos da Grande Rio foi pautado pelas estrelas e pela coerência temática. Entre as presenças famosas, a mais brilhante foi sem dúvida Susana Vieira - que veio no chão, ostentando um penacho verde e tirando onda de madrinha da bateria. Em relação ao enredo criado por Roberto Szianecki (Alimentar corpo e alma faz bem), a escola de Duque de Caxias não saiu do tom em momento algum; de cabo a rabo, sem grandes vôos imaginativos, alegorias, carros e fantasias celebraram a alimentação do homem.

Ainda na concentração, o assédio à madrinha Susana era grande. A atriz agradeceu a atenção dando um rodopio para que os fotógrafos pudessem conferir sua boa forma. Ela seguiu pela avenida perseguida pelos jornalistas, sem sambar muito; arriscava alguns passinhos e só.

-Estou emocionada. É um sonho realizado e uma responsabilidade também - disse a senhora do destino, sobre sua estréia na Grande Rio. Mas antes mesmo da escola começar o desfile, outra dupla famosa - Maria Maya e Heitor Martinez - empolgava o público do setor 1, bailando mesmo sem batucada. No chão, em meio aos integrantes anônimos, figuras como Otávio Mesquita e David Brazil despontavam. Bárbara Borges, no carro Oferendas Alimentando a Fé, e Ludmila Dayer, em outra alegoria, representando as artes, também ganharam muitos aplausos. Assim como o apresentador Gilberto Barros, que veio no carro As Festas.

Sem inventar muito, as alas representavam campos de milho e trigo, criações de gado, porcos, cabras e peixes. E até mesmo coelhinhos da Páscoa (com seus ovos) e xícaras de café caíram no samba. Os diretores de harmonia vieram vestidos de garções e chefes de cozinha. O maior e mais vistoso carro era o da Colheita e Industrialização, simbolizando o plantio e o refino do trigo. No carro União dos Povos Produzindo Alimentos e Solidariedade, uma surpresa: vestido com uma malha cor de carne de corpo inteiro, um integrante foi amarrado a uma roda de moinho estilizada, e passou o desfile inteiro girando.

Sexta escola a entrar na passarela na segunda-feira, a Grande Rio só pôde começar o desfile às 5h32, depois de todo o atraso causado pela Portela. A escola não tinha feito 50 minutos de passagem quando o sol começou a nascer. Ao atingir uma hora de desfile, o ritmo dos foliões (muitos deles sem cantar o samba) foi acelerado para evitar atrasos. Ao fim, um público maior que o de domingo aplaudiu bastante e soltou um tímido grito de ''É campeã'', enquanto a madrinha Susana Vieira sambava mais um pouco, sob o arco da Praça da Apoteose.

[ 16:33 - 09/02/2005 ]
 
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