Álvaro Costa e Silva
À exceção da Portela, que deu um vexame histórico, as escolas de samba do Grupo Especial que desfilaram no segundo dia tiveram um melhor desempenho na avenida. Duas dividem o favoritismo para o título deste ano: a Imperatriz Leopoldinense, que sem abdicar da funcionalidade esteve bela e empolgante, e a Beija-Flor, que com um desfile de grandes proporções luta pelo tricampeonato. A criativa Unidos da Tijuca e o vistoso Salgueiro, que se destacaram no primeiro dia da competição mas apresentaram alguns problemas técnicos (a primeira deixou um claro no fim do desfile e a segunda teve um dos carros alegóricos quebrado), podem ser as surpresas na apuração das notas marcada para hoje, às 15h30, na Praça da Apoteose.
Quinta escola a pisar na avenida e sem se incomodar com o atraso do desfile, a Imperatriz Leopoldinense quebrou um tabu. A fama que a perseguia era a de uma escola “técnica”, de desfiles pensados para conquistar os julgadores, pouco se importando com o público. Dessa forma, conseguira marcar presença no Desfile das Campeãs nos últimos cinco anos e ficar em segundo lugar no ranking da Liesa. Pois este ano a Imperatriz não esqueceu sua eficiência, porém acrescentou emoção ao bem sacado enredo Uma delirante confusão fabulística, que mergulhou no universo infantil do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen.
Desde a aparição da comissão de frente – bem simples, com quinze patos que se transformavam em cisnes, remetendo à história do Patinho Feio, e que faziam movimentos inspirados no balé O lago dos cisnes – as palmas irromperam. A beleza dos carros e das fantasias desenvolvidas pela carnavalesca Rosa Magalhães puxaram mais aplausos, enquanto os componentes da escola cantavam a plenos pulmões o samba-enredo, um dos mais trabalhados da temporada, inclusive no achado da rima para o nome do escritor homenageado: “além” com “Andersén”.
Particularmente linda estava Luiza Brunet, uma Rainha de Bateria discreta e eterna. Se Luiza de fato cumprir a promessa de largar os desfiles, será uma pena. Mas a última impressão terá sido inesquecível. Outros pontos altos foram os trajes do mestre-sala Chiquinho e da porta-bandeira Maria Helena, e os dois carros interligados que traziam bailarinas e soldadinhos de chumbo. No fim do desfile, uma homenagem ao maior escritor brasileiro de histórias infantis mostrava emílias e tias anastácias. Monteiro Lobato aprovaria.