Andréa de Freitas Machado, Gisele Saporito, Leonardo Filipo e Nelson Gobbi
RIO - A criatividade da Unidos da Tijuca, o luxo da Mocidade Independente de Padre Miguel e o fogo do Salgueiro levantaram a Marquês de Sapucai, no primeiro dia de desfiles do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro. Já a Mangueira, apesar de muito luxuosa e de contar com muita torcida, teve problemas em sua passagem.
A Mocidade Independente de Padre Miguel abriu o desfile e passou pela avenida em 76 minutos. Apesar do tempo apertado, a escola passou tranqüilamente, sem cometer erros de evolução e não chegou a empolgar tanto o público, mas os carros da cultura e história da Itália eram luxuosos, contrastando com as alegorias mais simples, que se referiam à moda da Itália nos tempos de hoje.
O Império Serrano veio na sequência com o enredo ''Um grito que ecoa no ar: homem e natureza em perfeito equilíbrio''. A escola da Serrinha levou para a Marquês de Sapucaí sete carros, sendo quatro sobre o fim do planeta. O abre-alas representou o caos.
O Salgueiro teve problemas com alguns carros, que ficaram presos em árvores na concentração, entre eles o abre-alas, mas conseguiu entrar completo na avenida e empolgou o público. Falando sobre o fogo, a escola de samba da Tijuca aproveitou também para homenagear Maninho e Miro Garcia, que morreram no ano passado, levando estampadas as fotos dos dois nas camisas de diretoria.
Em seguida, a Mangueira entrou na avenida e fez um desfile luxuoso e empolgante, mas o excesso de componentes e o tamanho dos carros alegóricos podem ter comprometido a performance da escola. O último carro só entrou na Marquês de Sapucaí aos 72 minutos de desfile, o que obrigou os componentes da escola a correr. Devido ao enredo sobre energia, o canavalesco Max Lopes utilizou muitas luzes e neón, o que não é uma característica comum no seu trabalho. Em vez de inovar na comissão de frente, como tem feito nos últimos anos com Carlinhos de Jesus, a escola trouxe a velha guarda desfilando.
Com o enredo ''Entrou por um lado, saiu pelo outro... Quem quiser que invente outro!'', falando sobre o mundo da imaginação, a vice-campeã do ano passado Unidos da Tijuca voltou a surpreender. Os carros alegóricos e alas coreografados da escola do Borel levantaram a Sapucaí. Mas um atraso no carro do Purgatório abriu um buraco no desfile e pode fazer a escola perder pontos na evolução. O último carro, do Borel imaginário, demorou a entrar na avenida, abrindo outro buraco no desfile da Tijuca. Apesar da torcida de todo setor 1, que ajudava até quem dirijia o carro seguindo os diretores de harmonia da escola, o carro que fechou o desfile acabou demorando muito e pode criar mais problemas.
A Tradição foi a sexta e penúltima escola a entrar na avenida, com o enredo falando da soja e da China. O último carro da escola fez um grande estrago na entrada da Marquês de Sapucaí. Em conseqüência, o destaque demorou a ser colocado no carro, o que prejudicou a evolução. A escola não empolgou o público.
Para fechar o primeiro dia, entrou a Vila Isabel, de volta ao Grupo Especial. A escola fez uma homenagem ao carnavalesco Joãosinho Trinta, que não pôde comparecer ao desfile porque está internado desde novembro por causa de um derrame. Seus componentes desfilaram com um botton com o rosto do carnavalesco e o seu nome escrito. Antes de entrar na avenida, as passistas da escola rezaram pela recuperação de Joãosinho. Com as arquibancadas já um pouco vazias a agremiação teve problemas com o penúltimo carro e pode ter perdido pontos.