Portela: "Nós podemos"
:: Andréa
de Freitas Machado
A primeira frase do enredo da Portela, "Nós
podemos: oito idéias para mudar o mundo", que
homenageia a ONU, sintetiza bem o espírito da escola.
Depois de 33 anos sob a mesma administração,
a azul-e-branca de Madureira mudou desde a direção
até o puxador e entra na avenida totalmente renovada
para finalmente romper o jejum de 21 anos sem campeonatos.
Dispostos a ousar, os carnavalescos Nelson Ricardo e Amarildo
de Mello contam que a agremiação deixa para
trás os desfiles conservadores dos últimos
anos, que não resultaram em colocações
superiores à sétima, e virá para a
Marquês de Sapucaí com muitas luzes e efeitos
especiais.
Com a eterna "Mulata Globeleza", Valéria
Valenssa, à frente da bateria, quadras lotadas nos
ensaios técnicos e a realização de
eventos repletos celebridades - uma delas foi o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva -, a escola é uma
das mais comentadas do carnaval. Não bastasse todo
o marketing, a Portela ainda tem a vantagem de ser a quarta
a se apresentar na passarela do samba, entre meia-noite
e uma hora, no segundo dia de desfile.
A grande expectativa está por conta do símbolo
da escola. Os carnavalescos da azul-e-branca já avisaram
que pretendem ousar e não descartam a possibilidade
de entrar com mais de uma águia na avenida.
"A águia virá totalmente remodelada.
Não se pode abandonar a tradição da
Portela, mas temos que ser contemporâneos", adiantou
Nelson Ricardo. Integrantes da escola revelam que ela virá
no abre-alas toda metalizada e moderna e que a que encerrará
o desfile será tradicional. O público também
deve esperar um carnaval bastante colorido. "É
inviável mostrar a mortalidade infantil em azul e
branco", completou.
Outra novidade deste carnaval da Portela é a dramatização
- há muito tempo já empregada pelas co-irmãs.
Os destaques dos dois primeiros carros alegóricos
realizarão coreografias ensaiadas. No primeiro, "Caos
da Humanidade", os coreógrafos responsáveis
são Carla Meireles e Ribamar Nunes. Já no
"Cio da Terra", um grupo de teatro da comunidade
encena a distribuição de pães.
E como a ordem é cativar o público com todos
os artifícios já utilizados e bem sucedidos,
as crianças que sempre dão um toque a mais
nos desfiles, também estarão presentes na
Portela. Cinqüenta meninos e meninas virão no
carro "Trabalho de Criança é Estudo e
Brincadeira", terceiro a entrar na avenida, acompanhadas
do embaixador da Unicef no Brasil, o comediante Renato Aragão.
Pela primeira vez , a escola de Madureira desfilará
com uma escola de samba mirim, a "Filhos da Águia",
criada pelo atual presidente Nilo Figueiredo. Os padrinhos
da nova agremiação são Marisa Monte
e Paulinho da Viola.
Apesar das mudanças e de ser chamada por seus componentes
de Nova Portela desde que mudou de direção,
no ano passado, a agremiação contará
ainda com um antigo trunfo para conquistar o público:
seus baluartes. Na passagem da azul-e-branca, marcarão
presença Monarco, Tia Surica, Zeca Pagodinho e Paulinho
da Viola - que sempre deixa dúvida quanto sua aparição,
mas todo ano acaba se "deixando levar". Dona Dodô
e Clóvis Bornay apresentarão a agremiação
na avenida.
"O carnaval da Portela é um carnaval sucinto,
simples, que não tem muito invencionismo. São
oito metas e nós vamos fazer as oito metas. Como
introdução mostraremos o porquê da ONU
ter decidido criar e implementar oito metas com 191 países",
prometeu Amarildo de Mello.
Além de "Caos da Humanidade" e "Cio
da Terra", a escola leva para a avenida os carros "Trabalho
de Criança", "Paz, Segurança e Desarmamento"
- que tem o grupo Rouge como destaque -, "Palácio
da Saúde contra os Monstros das Endemias", "Mãe
Natureza Exige Respeito", ONU e "Ordem da Águia:
O Samba Ensinando ao Mundo".
Maior campeã do carnaval carioca, com 21 títulos,
a agremiação não conseguiu brilhar
na Marquês de Sapucaí como nos tempos do desfile
na Avenida Presidente Vargas e Rio Branco - nos 11 anos
de desfile no Sambódramo, apenas dividiu um título
com a Mangueira. Para componentes e admiradores da Águia,
fica a esperança de que escola este ano volte a ocupar
o espaço deixando por ela no carnaval.