| Marcelo Pizzi RIO - Em um país que vive e respira futebol, não seria um absurdo imaginar que paralelo às atividades do esporte propriamente ditas, existe um farto mercado editorial para registrar e propagar os feitos dos clubes e ídolos. Segundo livrarias, editoras e autores a realidade não é bem assim, embora todos reconheçam o crescente interesse dos leitores e o maior espaço dado às publicações específicas, nos últimos tempos. No estande da Livraria Pontes, na XII Bienal Internacional do Livro, no Riocentro, percebe-se o grande interesse pelos livros de futebol. Carlos Trausula, gerente da Pontes, comentou a diversidade do público que vai à feira em busca de relatos sobre a história de seu clube e de seus ídolos: ''Há um grande interesse do público jovem, eles procuram o nosso estande com vontade de conhecer a história dos times e dos craques. Temos também outro tipo de clientes, os pesquisadores e universitários, que procuram estatísticas e teses sobre futebol, para servirem de fontes de pesquisa.'' Indagado sobre quem são as personalidades do esporte que atraem a maior curiosidade por parte dos leitores, Trausula cita o Rei do Futebol, além de alguns craques do passado. ''Péle é o principal. Outros mais antigos como Canhoteiro (ex-ponta do São Paulo) e Domingos da Guia (mítico zagueiro do Bangu, Vasco, Flamengo e Seleção Brasileira) também são muito procurados'', respondeu. José Reinaldo Pontes, dono da livraria, comentou a atual situação para quem escolhe trabalhar com o papel e a bola: ''Vejo o mercado como promissor, principalmente para livros que tenham um grande apelo, como os que abordam os clubes de massa. Há uma outra fatia do mercado que é mais restrita, a dos pequenos times e das biografias de jogadores menos conhecidos, esta exige tiragens mais realistas.'' Pontes, alíás, coloca-se no lugar dos compradores, para responder que tipo de literatura futebolística o interessa. ''Gosto muito de relatos de torcedores, jornalistas e jogadores, pessoas que narram a história por dentro, de modo a transmitir a sensação de quem viveu os fatos'', comentou o leitor e empreendedor. Mesmo reconhecendo a boa fase da atividade, ele ainda vê restrições a iniciativas mais ousadas. ''Seria uma ousadia, dentro da nossa situação econômica, criar uma editora apenas com futebol. No final dos anos 1960, surgiu uma editora, a Gol, que lançou 12 ou 13 títulos e quebrou. Não deu certo, não era o momento. Talvez hoje, se surgisse uma outra, ela teria uma possibilidade de êxito'', reconheceu Pontes, que também trabalha com lançamentos em outras áreas, como a linguística. Os autores também comemoram a procura pelo futebol. Ricardo Souza, autor do livro ''Fluminense Football Club - um século de uma vitrine esportiva'', entre um autógrafo e outro na mesa coberta pelo pavilhão tricolor, comentou como é recebido pelos livreiros: ''Acho que os livros de futebol têm grande saída. Quando deixo meus livros nas lojas sempre ouço: ''nossa, outro sobre o Fluminense, outro sobre futebol!'', declarou o autor, que citou Nélson Rodrigues como seu escritor favorito. |