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Começa a festa da literatura
Sotaque francês e críticas ao governo
na abertura da Bienal do Livro
Alexandre Fontoura e Ana Carolina Alves
“Bonjour, monsieur!”. É melhor os visitantes da XII Bienal
Internacional do Livro do Rio de Janeiro começarem a se acostumar
com o sotaque da França, país homenageado neste evento já
aberto ao público na tarde de hoje. Pelos corredores do Riocentro,
na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, deverão passar 16 autores
franceses, dentre os quais o best-seller Marc Levy e novos
talentos, como a escritora Marie Darrieussecq.
Na cerimônia de abertura, o principal idealizador da Bienal,
Paulo Rocco fez um histórico sobre as relações entre Brasil
e França no universo das artes plásticas, do jornalismo, do
teatro, do cinema e, é claro, da literatura. Lembrou também
que a homenagem à França representa um contraponto do “Ano
do Brasil na França”, evento que já está correndo em Paris.
O presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), Ivan
Junqueira, desabafou. “Nossa língua portuguesa vem sofrendo
constantes e crescentes agressões. A mais recente, e uma das
mais graves, vem deste governo, que, ao lançar esta cartilha
quer legislar a Língua Portuguesa, mas temos que votar o contrário”,
disse Junqueira muito aplaudido pela platéia. “Sem leitura
não há aventura humana. Aquele que não lê não participa do
presente, passado, muito menos do futuro”, afirmou e ainda
fez um apelo ao governo brasileiro no sentido de promover
programas de incentivo à leitura. Afinal, segundo ele, o país
detém um grande mercado editorial que não tem sido correspondido
pela rede livreira.
A governadora Rosinha Matheus ressaltou a preocupação do governo
do estado na formação de novos leitores. “Em pouco tempo,
estaremos distribuindo cerca de 1 milhão e 500 mil livros
entre as escolas, beneficiando 470 mil alunos da rede pública”,
disse a governadora, que embarca para Paris em agosto, para
participar da “Semana do Rio de Janeiro”. Segundo a governadora,
a Bienal é o terceiro evento mais importante do estado, perdendo
apenas para o Réveillon e o Carnaval.
O embaixador da França no Brasil, Jean De Gliniasty, lembrou
que há exatos 450 anos acontecia a primeira presença francesa
no Brasil.
Apresentada pelo jornalista Pedro Bial, ainda participaram
da abertura oficial o Secretário de Cultura do Município,
Ricardo Macieira (representando o prefeito César Maia); o
Secretário de Cultura do Estado, Arnaldo Niskier; o presidente
do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, José Henrique
Paim Fernandess.
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