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Vamos aos livros
Maior feira de livros do país abre hoje no Rio a sua programação de debates, leituras, conferências e encontros com autores

Luís Pimentel

A partir do meio-dia de hoje, quando os portões do Riocentro serão reabertos para a maior festa do livro que o Brasil já viu (os paulistas dizem que a de lá é maior e mais festiva. Coisa de paulista), o carioca volta a fazer o que faz a cada dois anos: respirar livros, caminhar entre montanhas de livros, comprar livros, lamentar a falta de dinheiro para comprar livros, ouvir escritores falar sobre livros e pedir autógrafos nos livros.

Até as 10 horas da noite - sábado e domingo até uma hora mais tarde -, o público poderá passear entre estandes de inúmeras editoras, tomar café e ouvir ótimos papos no Café Literário, se encantar com os poetas brasileiros no Jirau de Poesia, participar do Fórum de Debates, viajar no Imaginário dos Autores. Poderá ainda acompanhar o que os organizadores estão chamando de Eventos (ô palavrinha pouco literária) Nobres: conferência de abertura (hoje) pelo genial escritor e jornalista norte-americano Tom Wolfe (por que um norte-americano?), homenagens aos centenários do gigante Érico Verissimo (amanhã), do existencialista Jean-Paul Sartre (domingo) e dos 85 anos de Clarice Lispector (na outra semana). Tudo isto acontece no Auditório Fernando Sabino, no Pavilhão Azul, com capacidade para receber 600 ouvintes.

Claro que lançamentos de livros deverão estar acontecendo a toda hora, mas os eventos, nobres ou não, é que devem monopolizar o interesse maior. Afinal, nas mesas de debates ou nas salas de conferências estarão reunidos, dia após dia, a fina flor da literatura brasileira, autores reclusos, tímidos confessos ou mesmo aqueles nem tanto. Só no Café Literário (no Pavilhão Verde, com 160 lugares), por exemplo, estarão ídolos e craques das letras como Pedro Bandeira (amanhã), Diogo Mainard e Ana Maria Machado (sábado), Luis Fernando Verissimo, Antônio Torres e a novíssima sensação africana, José Eduardo Agualusa (domingo), além de Alcione Araújo, Leonardo Boff, Hermínio Bello de Carvalho, Paulo César Pinheiro, Luiz Vilela, Salim Miguel, Marco Lucchesi, Bárbara Heliodora, Domingos Pellegrini e Zuenir Ventura (nos dias seguintes).

Querem mais? Então, vamos de poesia. No Jirau dos poetas (Pavilhão Vermelho, 60 lugares), acontecem leituras de versos de vates como Francisco Bosco (filho do compositor João Bosco e também uma grande promessa como letrista da MPB), Margarida Finkel (ótima poeta, injustamente esquecida), Affonso Romano de Sant'Anna, Antônio Cícero, Elisa Lucinda, Abel Silva, Patrícia Carvalho e Reynaldo Valinho Alvarez (poeta superpremiado, que está com novo e belíssimo volume na praça, Lavradio).

Conversê que promete dar o que falar é o Imaginário do Autor (no Pavilhão Azul). Temas intrigantes como ''Serão os escritores sonhadores?'', ''E se pudéssemos realizar os sonhos de juventude?'' ou ''E se não fôssemos dominados por dinheiro?'' serão imaginados e discutidos por Moacyr Scliar (que de imaginário entende como ninguém), Ferreira Gullar, Fernando Gabeira e Walcyr Carrasco, entre outros. Ali também serão tratados temas mais amenos, como relação entre literatura e vinho, alguma coisa denominada de ''Meu personagem, meu fantasma'' e até discussão sobre a presença dos canalhas na literatura ou da literatura dos canalhas, assunto a ser destrinchado pelos cracaços Aldir Blanc e Geraldo Carneiro, que estão juntos, ao lado de outros contistas, na antologia Meu querido canalha (Objetiva).

Para quem gosta de conversa séria, o Fórum de Debates (Pavilhão Azul, com 130 lugares) vai tratar da sempre emergente literatura infantil (com Ziraldo, Lygia Bojunga, Ruth Rocha e Thalita Rebouças); escritores do universo online (Cora Rónai à frente); memorialismo (onde o poeta, compositor, cronista e pensador Nei Lopes deverá estar contando histórias do arco da velha, ao lado de Marcio Souza e Ronaldo Costa Couto); e até de golpes, revoluções, ditaduras e afins (assunto para os especialistas Flávio Tavares, Maurício Dias e Cândido Mendes). Nesses fóruns está prevista também, para o dia 21, uma conversa das mais animadas com o humorista e apresentador Jô Soares - de livro na praça, cheio de novas provocações, dessa vez com a Academia Brasileira de Letras.

Já que um país se faz (ou se engrandece) com homens e livros, como lembrou o bom e velho Lobato, vamos aos livros. Até porque, os homens têm deixado muito a desejar.

A Bienal pode ser visitada até o dia 22. Não é programa barato. Dez reais para entrar (estudantes e idosos pagam a metade) mais oito para guardar o carro. Programação e horários completos no próprio Riocentro, com as editoras ou no site www.bienaldolivro.com.br. .

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